Aeroporto Internacional de Miami recebe obras de artista brasileiro Carybé

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A descoberta acidental de uma turista brasileira e um carregador de malas desencadeou uma complexa operação para remoção, transporte, restauração e instalação permanente no Aeroporto Internacional de Miami, a nova casa das duas obras.

Os dois painéis foram pintados pelo artista plástico Hector Julio Paride Bernabó em 1960, nas paredes do terminal da American Airlines, no Aeroporto JFK. Carybé, como é conhecido o artista, conquistara o primeiro e o segundo lugares em um concurso promovido pela companhia aérea para escolher os artistas que decorariam o terminal. Carybé passou nove meses trabalhando nas obras.

No início de 2007, uma turista brasileira identificou os murais e, em conversa com um carregador de malas, descobriu que o terminal seria demolido e o destino das obras era desconhecido. O assunto chegou ao conhecimento de um executivo da Odebrecht que, em contato com a American Airlines, assumiu o ousado projeto.

As novas instalações das obras foram escolhidas pela presença da Construtora Norberto Odebrecht, responsável por obras de expansão do Aeroporto Internacional de Miami que recebe 30 milhões de pessoas por ano e é o terceiro maior aeroporto dos Estados Unidos a receber passageiros estrangeiros. É responsável por gerar mais de 200 mil empregos e contribuir com aproximadamente US$ 20 bilhões, por ano, na economia local. Está entre os dez maiores do mundo em transporte de carga e recebe 80% de todos os bens perecíveis importantes que entram no país, o equivalente a 1,6 milhão de tonelada. Nele operam 80 companhias aéreas que voam para aproximadamente 150 destinos em todo o mundo.

O Programa de Desenvolvimento do Terminal Norte de US$ 2,85 bilhões é o centro de um programa maior de US$ 6,2 bilhões, o “Capital Improvement Program”, do Condado de Miami-Dade, desenvolvido com o objetivo de ampliar e melhorar o sistema de aviação. O projeto inclui 50 novos portões, novas instalações para o departamento de Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA, 123 balcões, 119 quiosques de autoatendimento, 72 postos de serviços de inspeção federal, um novo sistema de bagagem capaz de lidar com 45 mil malas por dia, 3,2 quilômetros de escaladas rolantes e tapetes rolantes e uma ampla área destinada a serviços para o usuário. No total são 975 mil m2 em construção e geração de 2.500 vagas.

O projeto começou em 1998 e está sob a responsabilidade da joint venture Parsons-Odebrecht, desde setembro de 2005, com contrato de US$ 1,1 bilhão. A previsão é que o programa seja concluído em 2011. Com a nova estrutura os passageiros se beneficiarão com tempos de conexão reduzidos em voos nacionais e internacionais. A eficiência dos portões também melhorará, aumentando de 3 para 7 voos diários, em média.

As obras do complexo do Terminal Sul, também a cargo da joint venture Parsons-Odebrecht, iniciadas em 2001, foram concluídas em 2007, com um investimento de US$ 840 milhões. O Terminal Sul tem 11.600 m2 e capacidade para atender 10 milhões de passageiros por ano. A previsão é de que em agosto de 2009, decole o primeiro voo.

O projeto compreende quatro partes: o Terminal Sul (principal e que se comunica com o restante do aeroporto), o Concourse J. (saguão com 15 portões de embarque para vôos nacionais e internacionais), o Concourse H (que já existia e foi modernizado) e o pátio que circunda a área desses prédios. Somente o sistema de bagagem custou US$ 40 milhões, com 6,44 km de esteiras monitorados quatorze horas por dia e dez máquinas de raio-X que verificam cada uma das 4 mil malas despachadas por hora.

As dimensões dos painéis – cada um com 15,5 metros de largura por 5,5 metros de altura e pesando uma tonelada -, somadas ao fato de terem sido pintados diretamente no local, transformaram sua remoção em um grande desafio. Em outubro de 2007, com a demolição do terminal já em curso, uma equipe formada por arquitetos, consultores de arte e restauradores reuniram-se para encontrar a melhor solução e no menor tempo possível. Cada mural foi dividido em seis peças e o processo de retirada dos doze pedaços levou quase dois meses.

As peças foram encaminhadas para um galpão no Bronx, em Nova York, onde foi feita a restauração, conduzida por Timothy Burica e Steve Tatti e uma equipe de sete restauradores. Os painéis estavam danificados, principalmente por infiltrações e por uma tentativa anterior de arrancar as telas do suporte de cimento. O trabalho foi único no mundo, considerando-se o porte das obras e o fato de não serem afrescos, mas sim telas.

As peças, que foram transportadas por quase dois mil quilômetros, receberam estruturas de aço para garantir a eficácia de fixação na nova instalação. Com isso, o peso de cada painel dobrou de uma para duas toneladas.

No Aeroporto Internacional de Miami, a etapa de instalação foi um dos momentos mais delicados e, após dois meses, o Terminal Sul tornou-se a nova casa dos murais.

FONTE: Aviação Brasil – Assessoria de Imprensa – São Paulo/SP