O diretor do órgão de investigação de acidentes aéreos da França (BEA), Paul-Louis Arslanian, descartou definitivamente a hipótese de atentado como causa do acidente aéreo que matou 148 pessoas em janeiro no Egito, entre elas, 134 turistas franceses. Em declarações ao jornal “Le Monde”, Arslanian comentou que a análise das duas caixas-pretas do Boeing 737 da companhia egípcia Flash Airlines oferecem “uma boa fotografia do que ocorreu, mas não porquê ocorreu”.
“Sabemos agora que não se trata de um atentado, nem de um passageiro que entrou na cabine, nem de um piloto que ficou fora de si, nem de uma ruptura”, ou seja, que o “avião não se tornou brutalmente incontrolável nem explodiu”, declarou o diretor do BEA. Uma das caixas-pretas gravou as conversas na cabine, ao passo que a outra registrou “300 parâmetros de vôo”.

O confronto entre ambas evidencia “contradições”, segundo Arslanian, que disse que entre o que “ouvimos e o que vemos (nos parâmetros) não há correspondência”. O diretor do órgão de investigação apontou três hipóteses: o piloto “quer virar para a esquerda e não vira à esquerda”, o piloto “quer virar mas o avião não responde” ou o piloto “acha” que está virando para a esquerda “mas não está”.

Devido às dúvidas, o diretor da BEA se mostrou incapaz hoje de escolher entre uma falha de pilotagem ou uma falha técnica como causa do acidente, registrado pouco depois que o aparelho decolou de Sharm el Sheikh, no sul da península do Sinai. A tripulação do avião só demostrou pânico “nos últimos três segundos” prévios ao impacto, apesar de a aeronave ter começado a modificar sua trajetória “a partir dos 600 metros de altitude”.

O avião da Flash Airlines caiu nas águas do Mar Vermelho minutos após sua decolagem, depois de ter tombado de uma alturade 1,7 mil metros. Os investigadores também descartaram a hipótese de uma falha no funcionamento do dispositivo móvel localizado na parte posterior da da asa ter causado a catástrofe, apesar de dois aviões Boeing do mesmo tipo terem sofrido acidentes por causa deste defeito em 1991 e em 1994.

As famílias das vítimas francesas, que se reuniram em uma associação, demonstraram sua preocupação com as repercussões que eventuais pressões da Boeing ou do peso do turismo na economia egípcia possam ter na investigação.

FONTE: Agência EFE – Fernando Valduga – Porto Alegre/RS

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