Queda de avião é investigada

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Peritos da Aeronáutica estiveram no local do acidente com o monomotor do ginecologista João Aydes de Almeida.

Piloto segue internado em UTI de Porto Alegre A queda do monomotor PT-DFL, domingo à tarde, em Linha Renânia, interior de Santa Maria do Herval, a 20 quilômetros de Gramado, deve ser esclarecida em 30 dias. Peritos do 5º Serviço Regional de Aviação Civil (Serac) da Aeronáutica passaram a tarde de ontem coletando material. O médico ginecologista João Aydes de Almeida, 64 anos, tentou pousar em Canela, mas teve que retornar devido às condições climáticas. A sua próxima tentativa seria o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre .

O médico decolou às 14h12min, no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis (SC), e se chocou contra um morro em Renânia por volta das 16h15min. “Com tanque cheio, esse tipo de aeronave tem autonomia de quatro horas de vôo, o que indica condições de chegar até Porto Alegre”, analisa o piloto Paulo Bergamaschi, lembrando que Almeida pilotava há 20 anos e era o único membro do aeroclube com avião próprio. “Era um dos que mais voava. Inclusive à noite.” A explicação mais provável dos pilotos que foram ao local é que o avião estaria voando paralelamente ao monte, quando bateu uma das asas em uma árvore e girou 90 graus, chocando-se contra a montanha.

De acordo com os peritos do Serac, o avião sobrevoou a região da queda por 10 minutos, após tentar pousar em Canela. O altímetro parou marcando mil pés (a aproximadamente 300 metros do solo), altura em que estava quando se chocou contra o morro, mas segundo os peritos não é possível dizer a que altitude estava sobrevoando. “Ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa. Também não podemos falar em tempo de conclusão dos trabalhos porque algumas peças da aeronave serão mandadas para se fazer um laudo”, pondera o capitão da Aeronáutica, Luiz Carlos Dalla Costa, que comandou a operação. Susto e socorro dos moradores Domingo à tarde, moradores da Rua do Galeto foram surpreendidos por um forte estrondo, seguido de pedidos de socorro. O auxílio ao ginecologista João Aydes de Almeida deu muito trabalho. Os moradores abriram uma trilha no mato para chegar ao avião. A aeronave parou a uma altura de cerca de 300 metros, mas o caminho aberto é de quase 500 metros de extensão. “Vi o avião passando baixinho por aqui, e logo ouvi um estouro que estremeceu a casa”, recorda Célia Colório, 64 anos. Um morador que socorreu o piloto foi o agricultor Jurandir Trentin, 39. Ele estava num armazém quando soube do acidente. “O médico sangrava muito, com um corte fundo no pescoço e o rosto todo machucado, mas conseguia mexer as pernas. Retiramos ele do avião e o levamos ao hospital (Arcanjo São Miguel, de Gramado).” Apesar do traumatismo numa vértebra, a saúde do piloto, ontem à noite, era estável. “Ele está na UTI (Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre) por causa do tipo de acidente, que pode esconder traumatismo não-visto na primeira avaliação”, diz o médico Miguel Nacul. A perfuração no pescoço foi profunda, mas não traz risco porque não lesou a artéria carótida.

FONTE: Aviação Brasil – Fernando Valduga – São Paulo/SP