Aeroclube promove Bauru há 67 anos

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O Aeroclube de Bauru foi o segundo instalado em cidade do Interior em todo o Brasil. Hoje, é comemorado os 67 anos do aeroclube, que foi homologado oficialmente pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) em abril de 1939.

O responsável pelo setor de manutenção de aeronaves, Paulo Francisco da Silva, 44 anos, relembra que antes da homologação a instituição já tinha movimentação. Uma foto aérea encontrada em documentação datada de 1940 revela que a história do Aeroclube de Bauru teve início na década de 30. Na foto, ao invés de uma única pista, se vê três de terra. Hoje, prédios, ruas e avenidas cercam a pista. Na imagem antiga, não há nem sinal de estrada de acesso ao aeroclube, a cidade permanecia distante.

Silva trabalha há 28 anos na instituição, onde começou como ajudante nas atividades do hangar das aeronaves. Hoje mecânico de aeronaves, ele fala com especial reverência de um período de cerca de 14 anos, quando foi o braço-direito de Hendrich Kurt.

Conforme Silva, o general Américo Marinho Lutz fundou o Aeroclube. “Já Kurt foi o cara que praticamente colocou o vôo à vela no Brasil”, relata.

De acordo com Silva, sob o comando do imigrante suíço Hendrich Kurt, o Aeroclube de Bauru se consolidou. Kurt chegou a Bauru com o vôo à vela embalado na cidade. Porém, com os praticantes querendo cada vez mais recordes de permanência e vôos em maiores altitudes.

Daí veio a mão de Kurt, que orientou o projetista Hans Widmer, de São Paulo, na construção do planador “Flamingo”. A aeronave foi construída em 1944, em Bauru. “Tudo o que ele falava, as pessoas ouviam e respeitavam. Ele morreu em 1992, mas até hoje faz muita falta. Ele foi a pessoa que equilibrou o aeroclube. Na minha opinião, depois de Lutz (Américo Marinho), ele (Hendrick Kurt) é a pessoa mais importante”, frisa.

Conforme o mecânico, atualmente, o aeroclube da cidade é respeitadíssimo. Tanta reverência pode explicar o slogan do órgão, que denomina a cidade como “Capital Nacional do Vôo à Vela”.

Bauru realmente faz jus ao slogan por ter pilotos de planadores nos primeiros lugares do ranking brasileiro de vôo à vela. “Desde que estou aqui, Bauru sempre teve os principais ganhadores”, conta. Silva relembra que os campeonatos de vôo à vela na cidade começaram em 1949 o primeiro vôo à vela ocorreu em 1942.

O presidente do aeroclube, Fábio Freire Lara, destaca que a principal vocação da instituição é o esporte. “Entre os grandes expoentes do vôo à vela, muitos são de Bauru. Enquanto aeroclubes pelo Brasil estão fechando, mantemos a história e como um dos melhores aeroclubes”, destaca.

O ex-diretor do aeroclube, Mário Bevilacqua, destaca o fato da instituição ter uma história sólida de 67 anos. “Ele também despertou vocações como a de Marcos Pontes (astronauta)”, enfatiza. Bevilacqua ressalta que o aeroclube ainda é um ponto de encontro para famílias e grupos que, aos sábados, acompanham a arte de voar. “Sempre que você olhar para cima, tranqüilamente verá um avião ou planador no céu”, comenta.

Segundo o ex-diretor, outra característica marcante do aeroclube é a formação de pilotos. Ele cita o profissional Luiz César, contratado recentemente por uma empresa aérea japonesa por três anos. “Acho que Bauru precisa de história. Essa história tem que ser mantida com esforço e dedicação de pessoas que pensam grande porque, só desta forma, a cidade irá para frente”, analisa.

A primeira turma formada pelo Aeroclube de Bauru data de 1940, conforme registros históricos da instituição. A Escola de Aviação do Aeroclube prepara pilotos de planadores, de avião privado, comercial e profissionais especialistas em vôo noturno. De acordo com Silva, dependendo do interesse do candidato a piloto, é possível realizar o curso prático em até dois anos. O programa inclui três meses de preparação teórica e muitas horas de vôo.

Também prepara mecânicos de aeronave e comissários de vôo. No ano passado, formaram-se no aeroclube quatro mecânicos da Neiva de Botucatu (empresa subsidiária da Embraer), quatro da Oficina Marília de Aviação (OMA) e dois da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). Outro mecânico foi contratado pela TAM. O curso propicia ao mecânico um estágio no aeroclube.

FONTE: Jornal da Cidade de Bauru – Ricardo Santana – São Paulo/SP

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