Aviação Doméstica em queda livre, com quebras a vista

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Se comparado a fevereiro de 2008 apenas Meta, Passaredo, Trip e Webjet melhoraram. Puma e Rico estão no chão,sem voar, e a TAF dedicou-se a transportar cargas e passageiros ao exterior.

A aviação no norte do país, para as menores empresas, continua um grande desafio. A Rico que num passado não muito distante operou até com Boeing 737-200 e 737-300, com boa estratégia de crescimento, viu sua decolagem abortada quando chegou a concorrência da Tam e Gol em algumas de suas rotas a jato. Resultado impiedoso para quem não se pode dar ao luxo de voar com prejuízo e fazer frente a uma concorrência desleal para uma empresa que possuía uma frota de quatro jatos e aeronaves Embraer 120 na frota, contra empresas que chegavam a quase cem aviões. A Puma sobreviveu até julho de 2008 e após veio se arrastando até o mês de janeiro de 2009. Em fevereiro não conseguiu decolar! No entanto o caso da Puma foi altos custos, diferente da Rico.

A ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil poderia usar de instrumentos legais para permitir o crescimento de nossas empresas aéreas. O que vemos hoje, a lei do maior contra o menor, é ruim não só para as empresas nacionais menores mas também aos cidadãos brasileiros que acabam sem opção na compra de um bilhete aéreo. Numa rota São Paulo – Recife – Belém – Boa Vista não seria melhor promover uma conexão com uma empresa menor, uma feeder-line, muito usuável nos Estados Unidos, nos trechos do norte do país, sem onerar o passageiro?

O que estamos assistindo no norte do Brasil também está ocorrendo no sudeste. A novata Azul Linhas Aéreas também passa pela mesma concorrência e só irá continuar seus vôos porque o investimento na empresa foi bem planejado com um aporte financeiro capaz de sustentar a companhia frente a concorrência David x Golias. Para termos idéia da concorrência vamos citar o trecho Sâo Paulo – Porto Alegre – São Paulo.

No primeiro trecho, data de saída, 16 de abril e retorno 23 de abril, viajando por Campinas, a Azul teria um bilhete ida e volta a R$ 258,04, Tam a R$ 204,04 e a Gol a R$ 233,04, todas com o menor valor ofertado e taxas de embarque inclusas. Analisando com decolagem em Guarulhos o preço da Tam sobe para R$ 418,24 e a Gol R$ 487,24! Analisamos por Congonhas e o valor da Tam foi de R$ 958,24 e a Gol R$ 817,24. Todos os trechos pesquisados no dia 15 de abril.

A taxa de embarque para o passageiro que embarca em Campinas é de R$ 15,42, Congonhas, Guarulhos e Porto Alegre R$ 19,62. Vamos ressaltar que não estamos defendendo nenhuma empresa, não recebemos nada por isso, nem tampouco denegrindo nenhuma, pois o que ocorre hoje já é um legado de nossa administração aérea dos tempos do Departamento de Aviação Civil. A aviação mudou, o mundo mudou, a econômia mudou e quem controla poderia mudar. Incentir o progresso, a concorrência saudável. Não há justificativas para voar Guarulhos – Porto Alegre – Guarulhos pelo o dobro do valor de Campinas e quatro vezes mais por Congonhas! O barril de petróleo naõ custa mais US$ 140, é um terço deste valor, e o dolar, por enquanto, estacionou nos R$ 2,30, R$ 2,40. Se o preço pode ser baixo em Campinas pode ser igualado também em Guarulhos e Congonhas. Vale lembrar que antes da operação da Azul os preços de Campinas também eram mais altos. Se o problema é só a Azul que cheguem logo a São Paulo, mas sem esquecer que o cliente de hoje está mais inteligente e com uma memória muito melhor se falarmos de preços. Não há como ressaltar marca e eficiência daqui alguns meses, cobrando em Congonhas e Guarulhos valores baixos, porque uma nova aérea começou sua operação por lá. O passageiro conscientemente fará sua melhor escolha lembrando de fatos. Óbviamente o recado para nossas grandes empresas, que torcemos para que continuem grandes, é se forem baixar valores e podem fazer, que façam agora, não esperem a concorrência. O resultado seria visível no Load-Factor apresentado.

Falando em desempenho operacional, com uma oferta 13,5% menor que janeiro de 2009, a Gol teve retração no volume de passageiros quilômetro transportados de 26,81% em fevereiro comparado ao mês anterior. Se analisarmos que o volume apresentado em 2009 já contempla os números da antiga Varig (VRG), acreditamos que a queda somente da Gol é maior que os 26,81%. A Tam por sua vez apresentou uma oferta 10,91% menor que janeiro de 2009 e volume transportado 24,79% abaixo. O número apresentado é abaixo também que fevereiro de 2008, endossado pelo load-factor de 70,47% em fevereiro de 2008 contra 60,86% em fevereiro de 2009.

A Webjet transportou 35,4% menos que janeiro de 2009 apesar de ter ofertado 20% menos lugares, mas mesmo assim manteve o terceiro posto entre as nacionais. A OceanAir transportou 21,77% menos que janeiro de 2009 com oferta 15% menor. A Azul, nova quinta colocada, cresceu 32,09% no volume transportado, bem mais que a oferta de 21,77%. A Trip transportou 18% menos com oferta 13% menor que janeiro de 2009. Quanto as demais empresas, a Pantanal, em recuperação judicial, pode ser a nova vítima e não decolar em breve, pois está negociando com a TAM, Azul e Trip a venda de parte dos seus ativos operacionais. Como a TAM é uma de sua credoras é bem provável que fique com o direito dos slots da Pantanal no aeroporto de congonhas, barrando assim uma nova concorrência neste aeródromo.

Fechamos então o mês de fevereiro de 2009 com catorze empresas operando vôos domésticos e duas empresas com o market-share de 90,02%. Em fevereiro de 2008 eram dezessete empresas sendo que as duas maiores ficaram com 88,96%. Com a crise nossos aviões voaram mais leves. O load-factor do setor ficou em 60,72% contra 66,12% em fevereiro de 2008. Já está na hora de arrumar o setor e fazer com que a sinergia operacional de todas as empresas gere fluxo continuo de viajantes para todos os cantos do país.

Em breve a análise do mês de março. Será que melhorá?

FONTE: Aviação Brasil – Alexandre Barros – São Paulo/SP

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