Controlador diz que há pressão para não relatar incidentes

220

O presidente da Federação das Associações Brasileiras de Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta), primeiro sargento Carlos Trifilio, afirmou nesta terça-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea que os controladores são pressionados pelos dirigentes do setor a evitar o relato de incidentes. Ele disse que, em julho, um avião quase se chocou com outro e isso não teria sido relatado. Trifilio defendeu a desmilitarização do sistema e alegou que os controladores, com os seus movimentos, não estavam reivindicando melhores salários, mas condições de trabalho.

O deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) contestou dizendo ter ficado claro que o movimento era salarial, e questionou Trifilio em relação ao respeito à hierarquia militar. O sargento respondeu que preferia ser tachado de indisciplinado do que de assassino. Pires Franco afirmou, então, que os controladores deveriam ter tornado as suas críticas mais claras para a opinião pública antes da atual crise.

Segundo Carlos Trifilio, a carga horária dos controladores deveria ser de 16 dias por mês, mas está em 22 dias. Ele também considerou temerário o fato de que a formação dos controladores é hoje de um ano, quando deveria ser de quatro. E reafirmou declarações anteriores de que existem controladores com problemas de gagueira ou surdez.

Trifilio ressaltou que o sistema está desgastado, operando no limite, com falta de pessoal. Ele foi afastado do controle de vôo, setor no qual tem uma experiência de 20 anos, após tornar públicas as suas críticas. “Há controladores perseguidos, segregados, presos e discriminados. Eu sou um exemplo. Apesar de ser controlador há 20 anos, estou na base aérea de São Paulo cumprindo expediente militar, toda a carga do militarismo. Não me furto a isso, só que em um momento de crise, quando faltam controladores, eu estaria produzindo muito mais desenvolvendo a minha função”, alegou.

Para a deputada Luciana Genro (Psol-RS), que pediu o depoimento, os controladores vivem sob um regime ditatorial. “Há pressão enorme, ameaças e prisões; em Manaus, vários controladores estão presos, e outros foram transferidos e afastados das suas funções. O clima é muito pesado e os próprios líderes dos controladores não sabem mais até quando vão conseguir segurar”, afirmou.

Durante o depoimento, seis esposas de controladores de tráfego aéreo punidos pela Aeronáutica protestaram contra a situação.

O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), informou que vai apresentar requerimentos para obter informações das companhias BRA e TAM e da Aeronáutica sobre um incidente ocorrido na madrugada de ontem, em Porto Alegre. Nas proximidades do aeroporto da cidade, um avião da TAM teria arremetido para não bater em um avião da BRA que estava na pista. O presidente da comissão, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), lembrou que, pela versão divulgada na imprensa, o avião da TAM não estava autorizado a pousar.

FONTE: Agência Câmara – Sílvia Mugnatto – São Paulo/SP

Publicidade