Embraer nega intenção de descontinuar jato ERJ 145

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A Embraer negou que possa seguir os passos de sua maior concorrente, a canadense Bombardier, e deixar de produzir o jato ERJ 145, com capacidade para até 50 passageiros. A Bombardier anunciou há alguns dias que iria abandonar a produção de seu modelo CRJ 200, equivalente ao ERJ 145. Com isso, 660 pessoas vão perder o emprego na fábrica da empresa em Belfast.

“Reconhecemos uma diminuição na demanda por esse modelo, dada a maior preferência por aviões com maior capacidade de transporte de passageiros”, admitiu o vice-presidente-executivo de Relações com o Investidor da Embraer, Antonio Luiz Pizarro Manso.

Apesar disso, ele afirmou que a empresa não tem intenção de descontinuar esse modelo, já que ainda exporta muitas partes de reposição. Um outro motivo é o fato de o ERJ 145 ser a plataforma para a construção do jato executivo Legacy 600 e de vários modelos militares de vigilância e patrulha.

Ainda assim, a Bombardier anunciou que, apesar de desmontar sua linha do CRJ, manteria a produção do jato executivo fabricado a partir da base desse modelo.

No segundo trimestre deste ano, foram entregues cinco unidades de ERJ 145, dez a menos que no mesmo período de 2005. Entre janeiro e março, foram enviadas quatro unidades do modelo a compradores. Em carteira, a Embraer tem apenas seis pedidos firmes do ERJ 145.

Mesmo assim, o próprio mix de produtos da Embraer mostra uma mudança no perfil de seu portfólio. O segmento de aviação civil se mantém em crescimento, tendo atingido 71,4% da receita líquida da companhia, contra 68,7% há um ano. A aviação executiva cresceu de 7,5% de participação no faturamento para 10,6% entre os segundos trimestres de 2005 e 2006. Já a aviação de defesa e governo encolheu de 13,3% para 5,8% no período.

Dentro do próprio segmento de aviação civil é possível confirmar a afirmação de Manso quanto à tendência em relação à demanda por aviões com mais capacidade. Dos pedidos firmes em carteira da companhia, há seis ERJ 145 (até 50 lugares); 33 E-170 (até 78 lugares); três E-175 (até 86 lugares); 220 E-190 (até 106 lugares) e 36 E-195 (até 118 lugares). Sendo que o E-195, o maior e mais novo da linha da Embraer, entrou em produção há pouco tempo e tem a primeira entrega marcada para o final deste mês.

FONTE: Valor Online – José Sérgio Osse – São Paulo/SP