Entenda como um vôo transatlântico é cancelado por suposto atentado

215

Informações de confidentes, estranhas conversações telefônicas, nomes suspeitos: o menor indício de risco de atentado nos Estados Unidos provoca um alarme suscetível de cancelar os vôos transatlânticos seguindo o princípio da precaução, explicam especialistas franceses. Nos dias 24 e 25 de dezembro de 2003 seis vôos da Air France entre Paris e Los Angeles foram cancelados porque os serviços de inteligência americanos detectaram nas listas de passageiros seis nomes de potenciais terroristas.
Nos dias 1º e 2 de fevereiro de 2004, foram atrasados dois vôos de ida e volta da Air France entre Paris e Washington porque os americanos diziam ter interceptado “várias conversações que faziam pensar em riscos de atentados químicos ou biológicos”, segundo os serviços franceses. Washington fala de “ameaças confiáveis”, Paris responde com o princípio da “precaução”.

Como se dispara o alerta e em que se baseia?
A maioria das notícias recebidas pelos americanos é informatizada, sobretudo através da NSA, Agência de Segurança Nacional, e de seu sistema de interceptação, explica François Géré, do Instituto Diplomacia e Defesa. Lá são tratadas e selecionadas diariamente milhões de conversações telefônicas e eletrônicas, graças a um sistema que administra milhares de palavras-chave e deve permitir chegar até a uma informação confiável. Assim foram interceptadas as conversações que deram lugar ao alerta do último fim de semana, segundo Géré.

As informações procedentes por exemplo de interrogatórios de prisioneiros do campo de Guantánamo, a maioria, capturados no Afeganistão, dão resultados. Ao que parece, de lá procedem os nomes suspeitos do final de dezembro que acabaram sendo homônimos, segundo Géré.

Conforme fontes policiais francesas, são estudadas detidamente as listas dos passageiros que pensam fazer vôos transatlânticos nas 24 horas anteriores e posteriores a datas simbólicas como 11 de setembro ou 4 de julho. O Departamento de Segurança Interna (DHS), que foi criado no final de 2002 e agrupa 22 agências federais, centraliza a informação procedente de múltiplas fontes, incluídos a CIA e o FBI.

O problema é que, desde 11 de setembro, as agências tendem a transmitir o menor indício. “Os americanos estão aterrorizados e é totalmente legítimo. Mas sua preocupação pode alterar seu sentido da realidade”, explica uma fonte policial. Contudo, os especialistas franceses constatam que a informação não está totalmente centralizada e às vezes a polícia francesa trata da mesma questão com diversas agências.

FONTE: AFP – Fernando Valduga – Porto Alegre/RS

Publicidade