Governo vê chances remotas de sobrevivência da Varig

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Até uma solução empresarial, tida pelo mercado como última tábua de salvação para a continuidade das operações, deverá cair por terra. O Valor apurou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá vetar, em breve, a compra da VarigLog pela Volo do Brasil, com participação do fundo americano MatlinPatterson. A anuência prévia ao negócio, concretizado em janeiro, ainda não foi dada pelo antigo Departamento de Aviação Civil (DAC).

O órgão regulador tem indícios de que a Volo do Brasil é controlada por estrangeiros. Também descobriu supostas pendências dos sócios brasileiros com o INSS e com a Receita Federal, que inviabilizam a transação. A compra deverá ser revertida e faria cair automaticamente a oferta da VarigLog de levar a Varig, por US$ 350 milhões.

A outra possibilidade de salvação é um acordo da Varig com o empresário German Efromovich, da Ocean Air, mas ele esbarra na resistência da Infraero. Para concretizar a operação, Efromovich pleiteia a transferência de hangares e terminais da Transbrasil à sua empresa. São instalações nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Brasília e no Rio de Janeiro.

Na frente oficial, a Varig já não pode contar com nenhuma ajuda. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu total autonomia aos credores estatais para levar adiante as ameaças de cortar o fornecimento de combustível ou negar autorizações de decolagem para os vôos da empresa. Em conversa com executivos das estatais, a ministra só pediu que eles agissem com responsabilidade.

Na BR Distribuidora, a Varig não tem crédito. A situação é ainda mais grave na Infraero, com quem a Varig já acumula dívida superior a R$ 500 milhões. Pressionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público, o presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, terá uma conversa derradeira com Bottini na terça-feira, em reunião no Rio. Hoje ele encaminhará ao TCU e ao MP um memorando com todas as ações da Infraero em defesa do erário público.

Dilma entregará nesta semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um relatório com a análise dos ministros sobre a crise da aérea. Lula está preocupado com os impactos do fechamento da Varig em pleno ano eleitoral e tem mencionado freqüentemente, nas conversas com interlocutores, que ela é responsável por mais de 11 mil empregos diretos.

Mas a avaliação que será repassada ao presidente é muito negativa. Dilma está pessimista em relação ao futuro da Varig. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu taxativamente a falência da Varig e disse que não há mais chance de evitar a quebra. O Planalto espera a decretação da falência da Varig a qualquer momento.

Desde a entrada em recuperação, no entanto, a Varig já deixou de pagar R$ 116 milhões à Infraero. Também deve R$ 18 milhões ao fundo de pensão Aerus, referentes às parcelas de fevereiro e março. Está em atraso com a VEM, que faz a manutenção dos aviões, e ainda não acertou com os funcionários que recebem mais de R$ 3 mil.

Apesar do aceno contrário do governo, a Varig tentará mais uma vez recorrer ao BNDES para obter crédito. Hoje, a aérea encaminha ao banco um pedido de financiamento para recompor seu capital de giro, segundo Marcelo Gomes, diretor da Alvarez & Marsal, responsável pela reestruturação da aérea. A empresa também estaria pleiteando um financiamento para algum investidor interessado em adquirir parte do capital.

FONTE: Valor Econômico – Daniel Rittner e Janaina Vilella – São Paulo/SP