Pedido de falência e falta de recursos deixam Vasp em situação delicada

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Depois que a empresa GE Celma – uma das divisões da multinacional americana General Electric (GE) – decidiu pedir a falência da Vasp, ontem à noite, a situação da empresa de aviação, que já não era confortável, ficou mais complicada nesta quarta-feira.

O pedido de falência foi motivado pelo não pagamento de dívidas de cerca de R$ 9 milhões, referentes a serviços de manutenção das aeronaves, conforme reportagem publicada na edição desta quarta-feira do jornal Valor Econômico.

A Vasp informou que ainda não foi notificada oficialmente, mas garante que vai recorrer do pedido. Além do problema jurídico, outro mais grave é que a GE deixa de realizar os serviços de manutenção das 22 aeronaves da empresa que estão em operação. Dívidas de outros R$ 80 milhões estão sendo questionadas pela GE na Justiça, entre protestos e execuções.

Os reflexos da decisão começaram a ser sentidos nesta quarta-feira, quando a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) anunciou que as ações da empresa estão suspensas para negociação até que a empresa faça um comunicado formal esclarecendo as notícias sobre o pedido de falência feito pela GE Celma.

O governo anunciou nesta quarta-feira que aguardará por mais dois dias um plano básico de operação da Vasp. Caso contrário a prorrogação de sua concessão para operar no território nacional pode não ser prorrogada.

“Há pré-requisitos que a empresa precisa se adequar”, afirmou Viegas, durante apresentação em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados.

Para piorar a situação, a Varig, em decisão tomada nesta quarta-feira, decidiu não mais fazer o endosso para que passageiros com bilhetes da Vasp pudessem utilizar os seus aviões. O motivo: falta de repasse dos valores das passagens. Por enquanto, a TAM aceita os endossos, desde que existam lugares em seus vôos. A GOL ainda não tem uma posição tomada a respeito.

Ontem, a Vasp anunciou o corte de 380 de seus 5,1 mil funcionários e estuda também o fechamento de lojas em todo o Brasil. Nesta quarta-feira, a empresa fechou dois pontos comerciais no Recife. No dia 1º de outubro, a Central de Reservas da empresa, que atendia às regiões Norte e Nordeste, também foi fechada.

Em resposta as demissões, os funcionários da companhia podem retomar a greve. O sindicato da categoria realiza amanhã uma assembléia para discutir a situação e decidir se retoma a paralisação.

A companhia também anunciou que vai cortar 11% do atual volume de vôos e desativar operações para Campinas, Londrina, llhéus, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Florianópolis e Corumbá.

Wagner Canhedo, presidente da Vasp, disse ontem, em entrevista à Rede Globo, que a companhia vai honrar com todos os compromissos e recolocar em operação todas as aeronaves até dezembro deste ano, sem, porém, dar mais detalhes.

Também ontem, a Infraero, empresa que administra os aeroportos do País, anunciou que passará a cobrar antecipadamente da Vasp as taxas operacionais que, normalmente, são repassadas ao órgão após os vôos. O valor diário é estimado em R$ 600 mil, mas pode ser menor porque a empresa suspendeu algumas rotas. A medida entrará em vigor a partir da zero hora do dia 13.

FONTE: Aviação Brasil / Invertia – Invertia – São Paulo/SP