Presidente da Varig descarta paralisação das operações

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O presidente da Varig, Marcelo Bottini, descartou hoje a possibilidade de paralisação das operações da companhia aérea, terceira maior do país e que enfrenta grave crise financeira. “Eu descarto sim, sem dúvida”, disse Bottini ao ser perguntado se havia risco de a Varig parar por falta de recursos.

Bottini lembrou que há 10 anos o mercado escuta boatos de que a Varig vai parar, mas que a empresa continua trabalhando para resolver seus problemas financeiros.

O executivo disse que solicitou encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conversar sobre a situação da Varig e que tem feito contatos com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Com caixa bastante limitado, a Varig pediu ao governo carência no pagamento de contas à Infraero e à BR Distribuidora pelo menos até o segundo semestre, informou Bottini.

Ele ressaltou que há uma necessidade urgente de investimentos na empresa e que, por isso, a proposta de compra da Varig feita pela VarigLog na segunda-feira – que separa a companhia aérea endividada da operacional – está na mesa para ser estudada.

O executivo participa de assembléia com credores para escolha do gestor dos fundos de investimentos que fazem parte do plano de reestruturação da empresa. O escolhido foi o Banco Brascan, indicado pelo presidente da Varig.

“A proposta (da VarigLog), de forma alguma, mata os fundos de investimentos… Sem dúvida vão continuar existindo. Vamos encontrar uma maneira de encaixar isso”, explicou Bottini.

Os credores da empresa, no entanto, rejeitaram oferta de compra da companhia pela VarigLog, que resultaria em uma reestruturação que propõe a demissão de 6,3 mil funcionários.

Ontem, os presidentes da Gol, Constantino Júnior, e da TAM, Marco Antônio Bologna, teriam se reunido com a direção da Agência Nacional de Aviação (Anac) em Brasília justamente para tratar da possibilidade de “herdarem” as linhas hoje operadas pela Varig. Oficialmente, a Anac nega que o encontro tenha tratado desse assunto.

Para sair da crise que obrigou a empresa a pedir recuperação judicial em junho do ano passado foram criados quatro fundos de investimentos de participação, os Fips, sendo um para arrecadar recursos para o controle da empresa e os outros três com o crédito das três categorias de credores – os trabalhistas, os com garantia e os sem garantia. A idéia é que com o passar do tempo, os créditos sejam transformados em controle da empresa.

Com dívida de mais de R$ 7 bilhões, a maior parte com o governo brasileiro, e “caixa limitado”, segundo o próprio Bottini, a Varig pagou apenas parte dos salários de seus funcionários em março e tenta junto ao governo adiamento de pagamentos de serviços de seus principais fornecedores, Infraero e BR Distribuidora, até pelo menos o segundo semestre.

Bottini confirmou que a estratégia da Varig será cada vez mais se especializar em vôos internacionais e manter os vôos domésticos nas principais cidades do país para abastecer o segmento.

“Vamos nos focar principalmente nos vôos internacionais e ter vôos domésticos alimentando esses vôos nas principais cidades do Brasil”, afirmou.

O presidente da Varig informou que a proposta feita na segunda-feira pelos controladores da VarigLog, de separar a Varig lucrativa da Varig endividada e reduzir a frota de 71 para 48 aviões, com demissão de 4,6 mil pessoas, vai ser analisada pelos credores. Ele também sinalizou com possibilidade da oferta ser modificada.

“Hoje temos alguns investidores, algumas propostas feitas… ontem (terça-feira) conhecemos a da VarigLog, tem a proposta feita pela Alvares & Marsal, está tudo na mesa, quem vai julgar é o credor”, afirmou.

Na terça-feira, alguns credores, como os trabalhistas e o fundo de pensão Aerus (sem garantia), declararam, na saída da reunião onde foi apresentada a proposta da VarigLog, que rejeitariam a oferta por ela não prever o pagamento das dívidas. “É uma proposta de calote”, chegou a afirmar a presidente do Sindicato dos Aeronautas, Graziela Baggio, após a reunião.

Bottini explicou que está acostumado a debater “há anos” uma proposta para a Varig, e pela experiência tem confiança de que os donos da VarigLog – o fundo de investimento Matlin Patterson e empresários brasileiros, reunidos na empresa Volo – podem aperfeiçoar a oferta.

“Nós estamos trabalhando mas precisamos de um investidor, temos que analisar todas as propostas”, ressaltou.

Ele disse que vai continuar a buscar investidores enquanto o plano de recuperação é finalizado. Segundo Bottini, o primeiro passo é a criação dos Fips, “sem o qual os investidores não têm onde aportar os recursos”.

FONTE: Reuters – Redação – São Paulo/SP