TAM não crê em regulamentação de preços no setor de aviação

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O presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, disse hoje não acreditar que o setor de aviação venha a sofrer controle de preços. A afirmação diz respeito aos comentários que teriam sido feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, de que as passagens aéreas estão muito caras e uma regulamentação deveria ser discutida, conforme reportagem publicada hoje no jornal Valor Econômico. “Não acreditamos no retorno do controle de preços”, afirmou, lembrando que a formação de preços é livre, determinada por oferta e demanda.

“Enquanto o PIB brasileiro cresce de 3% a 4%, a aviação vem crescendo dois dígitos. O que explica isso são os preços mais acessíveis, que vêm caindo ao longo dos últimos três anos”, opinou. Bologna citou ainda um estudo do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo o qual a desregulamentação do setor na década de 90 evitou que os passageiros pagassem tarifas 11% mais caras entre 1993 e 2002. “A dinâmica do mercado mostra hoje que os preços são mais competitivos do que eram antes”, acrescentou.

O dirigente admitiu, no entanto, que o mês de julho é sazonalmente um período de alta procura e, por isso, as tarifas promocionais deixam de existir. Além disso, as dificuldades enfrentadas pela Varig, com cancelamento de vários trechos, geraram uma demanda maior do que a oferta por bilhetes econômicos no mês de férias.

Em relação aos recentes questionamentos de participação de mercado, Bologna observou que também não acredita em prejuízo aos consumidores devido à franca liderança da TAM e da Gol no mercado interno, impulsionada pelas dificuldades da Varig. O principal temor entre os defensores da concorrência é de que, juntas, elas podem ter o domínio sobre os preços praticados, o que prejudicaria os consumidores.

A TAM aumentou sua participação média de mercado para 45,9% em junho deste ano, o que equivale a 4,5 pontos percentuais a mais do que a fatia registrada no mesmo mês do ano passado. A Gol, por sua vez, anunciou participação de 35% no mesmo período.

Na visão de Bologna, entretanto, o mercado brasileiro é suficientemente pulverizado. Além da TAM e da Gol, o dirigente mencionou a existência da BRA, da WebJet e a da OceanAir, além da própria Varig. Ainda que possa haver um cenário de concentração nas operações, Bologna disse não ver problemas nisso. Ele citou como exemplo o domínio de mais de 80% de mercado de empresas como LanChile e AirFrance, respectivamente no Chile e na França. Afirmou, também, que nesses lugares continua crescente a oferta de assentos, destinos e preços menores. ” Não há limitação de participação de mercado nesse setor no mundo ” , reforçou.

FONTE: Valor OnLine – Bianca Ribeiro – São Paulo/SP

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