TAP encobre risco de falência

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A companhia aérea TAP-Air Portugal SA está à beira de uma condição pré-falimentar, segundo informações do jornal Diário de Notícias. Embora a empresa tenha recentemente evidenciado uma redução de seus prejuízos, a estrutura financeira piorou acentuadamente no último ano, com o capital próprio recuando de € 77 milhões em 2000 para apenas cinco milhões de euros (US$ 4,60 milhões) em 2001, disse o jornal. Para se ter uma idéia, o limite mínimo fixado no Código das Sociedades Comerciais é de metade do capital social, o que no caso da TAP seria de € 125 milhões (US$ 115,1 milhões), acrescentou o jornal.

O Diário de Notícias também salienta que a TAP está para negociar com três instituições financeiras um novo empréstimo de € 120 milhões (US$ 110,5 milhões), que segundo o administrador-delegado da empresa, Fernando Pinto, será para fazer face “às necessidades da tesouraria”. Como garantia, serão oferecidos quatro aviões Airbus 340 da frota da companhia. Fontes do setor contatadas pelo jornal consideram que se o empréstimo se concretizar, a TAP estará queimando seu último cartucho, pois “não vai conseguir nenhum outro se for verificada uma ruptura na tesouraria”.

O fato de os resultados líquidos de 2001, negativos em € 43,6 milhões (US$ 40,1 milhões), serem significativamente melhores do que os anteriores, e até mesmo do que a meta fixada no plano de recuperação aprovado por Bruxelas, só foi possível porque grande parte dos custos de reestruturação, cerca de € 35 milhões (US$ 32,2 milhões), foram contabilizados em resultados transitados, que passaram de € 120 milhões para € 290 milhões negativos (US$ 267,1 milhões) em 2001, um recurso contábil que permite que a verba não seja evidenciada na demonstração de resultados, mas apenas no balanço. Isto não diminui, porém, o seu impacto negativo na estrutura financeira da empresa.

Nas contas do exercício passado foram também anuladas algumas provisões constituídas em exercícios anteriores para situações ainda pendentes na Justiça, como o litígio com os ex-trabalhadores da extinta Air Atlantis, ou a dívida de cerca de € 20 milhões (US$ 18,4 milhões) em impostos no Brasil.

FONTE: Estado de São Paulo – Redação – São Paulo/SP

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