Vôos fretados e cargas são as alternativas da WebJet para continuar em operação

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Depois de ter suspendido vôos para Brasília e cancelado sua estréia em Salvador, no dia 1º, a WebJet dará continuidade à reformulação de sua rota original com uma mudança radical de plano. A empresa está em fase final de homologação para oferecer vôos fretados a destinos turísticos do Nordeste e transporte de cargas, duas alternativas que não constavam do seu projeto inicial de negócios.

Esses são alguns dos caminhos que a novata do setor aéreo busca para não ter de cancelar mais vôos, o que já foi obrigada a fazer três vezes desde 12 de julho, quando começou a voar. O motivo foi a baixa ocupação de seu único avião, um Boeing 737-300 com capacidade para 132 passageiros, por causa da guerra tarifária deflagrada com a sua estréia.

“Enquanto houver um caminho, nós sempre vamos buscá-lo. Desistir da operação é uma coisa do setor e das empresas, mas não estamos buscando isso, não estamos desistindo”, responde o presidente da WebJet, Rogerio Ottoni, ao ser questionado se a companhia poderia desistir da operação diante de tantas dificuldades. Mês passado, por exemplo, o Departamento de Aviação Civil (DAC) divulgou que a WebJet teve 35% de aproveitamento das aeronaves, enquanto a média do setor foi o dobro (71%).

Outra mudança que a WebJet fez foi vender passagens via agentes turísticos, coisa impensável quando começou a voar. Hoje, já são 3 mil operadores, que respondem por 10% das vendas totais de passagens da companhia. Segundo Ottoni, o objetivo é aumentar o número de canais de distribuição para fazer com que a empresa aumente a ocupação dos vôos.

“Ninguém saiu da operação”, diz Ottoni, após ser perguntado se algum dos cinco sócios fundadores havia desistido da WebJet, fruto de investimento de US$ 10 milhões. Ele também nega que, com tantas mudanças, a companhia poderia abandonar o conceito de custos e tarifas baixas (low cost, low fare), embora o custo médio da tarifa da empresa já tenha subido 45% desde meados de agosto, conforme cálculo de Ottoni. E é por causa desses reajustes que o executivo acredita que a WebJet tem chances de não fechar o balanço financeiro deste ano no vermelho.

A WebJet voa atualmente entre São Paulo, Rio, Porto Alegre e Florianópolis. A empresa chegou a voar para Belo Horizonte, mas essa cidade deixou de ser atendida por causa da baixa ocupação. A alternativa foi deslocar o avião para Salvador a partir do dia 1º, mas de novo o pouco aproveitamento da rota resultou na suspensão dessa freqüência antes mesmo de sua estréia.

FONTE: O Estado de São Paulo – O Estado de São Paulo – São Paulo/SP

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