A maior feira latino-americana de aviação

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Na era da velocidade, temos a certeza de que nossos leitores querem saber imediatamente todos os rumos que esta importante feira chilena está expondo ao mundo, em especial, o mercado latino-americano. Seja qual for o seu negócio, se aviação militar, executiva, comercial, MRO, equipamentos aeroportuários e ou tecnologia espacial, Aviação Brasil larga na frente com esta grande cobertura profissional. Vamos agora conhecer um breve histórico da feira chilena.

A FIDAE teve início em 1980 quando a Força Aérea Chilena decidiu comemorar seu 50º aniversário com uma apresentação aérea e demonstração de equipes e sistemas desenvolvidos no Chile. Em 1982 a Feira já contava com 160 expositores além da apresentação da aeronave Pillan, desenvolvida por engenheiros chilenos e exportada para países como Espanha, Paraguai e Panamá. Em 1984 a Fidae presenciou o nascimento da Enaer – Empresa Nacional Aeronáutica, que em associação com a Casa, da Espanha, realizaram vendas em conjunto e armamento para a aeronave Casa C101. Em 1986 foi apresentada a versão turbo da aeronave Pillan, a T-35TX Aucan, e também o Mirage 50CD. Em 1988 a USAF apresentou a aeronave F-16 pela primeira vez no Chile. Em 1990 a Feira já apresentava sinais evidentes de crescimento, tanto que a Base Aérea del Bosque, lugar em que a Feira era apresentada, teria a última apresentação da Fidae, que estava se transferindo para Los Cerrilhos.

Em 1992, de casa nova, a Fidae viu as apresentações das aeronaves que participaram da Guerra do Golfo, tais como o Tornado, o A-10 e o F-117 Stealth. Em 1994 foi a vez dos russos desembarcarem na feira. O Museu Espacial Russo apresentou o módulo espacial Soyuz, que foi tripulado pelo primeiro homem a orbitar a terra, Yuri Gagari. Em 1996 a feira foi direcionada a aviação civil, com a realização da IV Conferência Anual dos Presidentes das Empresas Aéreas das Américas e Caribe. Em 1998 a Fidae contou com as apresentações dos caças Gripen da Suécia, F-16 da Lockheed Martin, Mirage 2000-5 da Dassault e do F/A-18 da Boeing. Em 2000 a Airbus apresentou o A340 e a Boeing o B-717. Em 2002, voltada mais para as questões de segurança, devido os atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos, a Fidae teve grande exposição de sistemas de segurança aeroportuários e de jatos executivos.

Paralelamente, a Airbus apresentava os Modelos A340-600 e ACJ 319, a Bombardier trazia o Challenger 604, a Embraer o Legacy e a Raytheon o Citation CJ. Na última edição, estiveram presentes mais de 45.000 executivos e um público de 152.000 pessoas. Nas próximas páginas vamos acompanhar com noticias diárias, enviadas por nosso enviado especial, Fernando Valduga, sobre as tendências da feira, sobre o que os congressistas estão abordando suas pautas, e imagens, muitas imagens do que está ocorrendo em Santiago do Chile, no palco de mais uma FIDAE.

Aviação Comercial na Feira

Apesar de todas especulações feitas durante a última edição da FIDAE, em 2002, sobre a mudança da exposição para um novo local em 2004, a maior feira aérea da América Latina ainda ocorreu no Aeródromo de Los Cerrillos neste ano, mas já está tudo programado para próxima edição em 2006 acontecer dentro da área do Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez. O próximo diretor da FIDAE 2006, Arturo Merino Núñez, filho do ilustre chileno, cujo nome ocupa o do ex Aeroporto Pudahel, está otimista quanto às novas instalações da exibição e conta que já estão sendo feitas diversas ações no sentido de trazer uma maior números de empresas e expositores para a próxima FIDAE. Para isto, está sendo construída mais uma pista no local do Aeroporto e também serão construídos pavilhões para atender as empresas expositoras.

No local do atual aeródromo de Los Cerrillos será construído um luxuoso complexo habitacional em comemoração ao bicentenário do Chile. Durante a própria FIDAE 2004 já forma iniciados os contatos com as empresas expositoras e também foram iniciados os trabalhos de marketing para FIDAE 2006.

Para este ano, uma empresa especializada em meio ambiente (Sesma), vigiou constantemente o nível de ruído na região da feira, além da ação de distribuir cerca de sete mil protetores auditivos para os habitantes da Comuna de Los Cerrillos. Outras medidas vistas neste ano foram as reduções nos números de exibições aéreas, sendo que pela manhã somente helicópteros e aeronaves turboélices apresentavam-se e pela tarde ficavam as apresentações dos jatos, sendo que não passavam de uma hora. Diversos meios foram usados para informar a população vizinha ao aeródromo sobre o acontecimento, informou o diretor executivo da FIDAE, Cel. Alonso Lefno.

Foram estabelecidos diversos corredores para as aeronaves que chegavam e partiam da FIDAE, conformo foi explicado pelo DGAC, a Direção Geral de Aeronáutica Civil informou, tudo isto tendo em vista a diminuição de tempo para as aeronaves permanecerem sobre a cidade durante os dias da exposição.

No final de semana da feira, aberta ao público geral, calcula-se que cerca de 120 mil pessoas visitaram a exposição. Infelizmente diversas aeronaves presentes já haviam deixado a exibição, mas mesmo assim a direção da feira estava contente com o resultado alcançado.

Airbus, mais uma vez a estrela da FIDAE!

Assim como na FIDAE 2002, quando estiveram presentes os Airbus 340-600 e o ACJ, neste ano a maior estrela foi o Airbus A318 que chegou a feira no dia 27 e permaneceu no evento até o dia 02. O A318 é o mais novo membro da família A320 e também o menor. Realizou seu primeiro vôo em janeiro de 2002 e já tem aeronaves entregues para Air France, Finnair e Frontier. Esta aeronave começou a nascer após inúmeras conversações com a indústria chinesa para fabricar uma aeronave de 100 passageiros. Como as conversas não evoluíram, a Airbus resolveu desenvolver sua versão, baseada na exitosa família A319/A320/A321. A princípio a nova aeronave foi chamada A319M5, pois foram removidas cinco seções da fuselagem. Ao decidir que a aeronave seria rentável no mercado, designou-se então AE31X e posteriormente A318. O A318 apresenta cerca de 95% das peças existentes nas outras aeronaves da família A320, mnimizando assim em muito o custo operacional para as empresas que já possuem outras aeronaves da mesma família em suas frotas.

O lançamento oficial foi em 26 de abril de 1999. Seu primeiro vôo foi no dia 15 de janeiro de 2002 no aeroporto de Finkenwerder e recebeu a certificação da JAA em 23 de maio de 2003. A primeira entrega foi para Frontier Airlines, em 22 de julho do mesmo ano, com um urso Grizzly pintado na sua cauda característica da Frontier, por usar imagens de animais típicos da fauna selvagem norte-americana. A aeronave que se apresentou na FIDAE, prefixo F-WWIA (cn 1599), o primeiro A318 pintado com as cores da Airbus, estava com seu interior sem assentos, carregando uma série de equipamentos de testes e medições.

No seu stand, a Airbus apresentava toda sua linha de aeronaves atualmente fabricadas e seus novos projetos, como o A380, que atualmente encontra-se e fase final de montagem e o novo projeto de transporte militar A400M.

A Boeing mais uma vez ficou na sombra da Airbus e apresentou apenas maquetes de suas aeronaves no stand localizado na área norte-americana. Dentre seus lançamentos estava a maquete do Dreamliner ou Boeing 7E7, com suas linhas aerodinâmicas, mas que segundo o diretor de vendas da Airbus no Chile, é uma cópia um pouco modificada do A330-200, como foi mostrado na conferência da Airbus para imprensa. A Boeing aposta no mercado sul-americano, e acredita que terá um crescimento de 7% nos próximos 20 anos, sendo este mercado um dos que mais crescerão.

Mesmo após diversas derrotas para a concorrente Airbus, a Boeing acredita que o projeto 7E7 renderá bons frutos e que retomará sua posição de líder de vendas de aeronaves comerciais, conforme informa John Wojcik,o diretor regional da Boeing Commercial Aircraft para América Latina. Com um preço estimado de US$ 120 milhões, quase o mesmo valor de um Boeing 767, o 7E7 oferecerá redução no número de conexões, devido a sua autonomia, e também uma reconfiguração interna com mais espaço entre assentos e janelas maiores, tudo isto graças ao uso de novos materiais compostos.

A Aerolineas Argentinas trouxe para o evento uma aeronave especial. O Boeing 737-287/Adv Executive Jet, prefixo LV-JTD, especialmente configurada para transporte executivo. A aeronave estava estocada no aeroporto de Ezeiza até 2001, quando foi reconfigurada para transportar 29 passageiros e 6 tripulantes. Toda adaptação interna foi feita pela própria companhia aérea Argentina, nas suas instalações no aeroporto de Ezeiza, utilizando-se de um kit vendido nos Estados Unidos. Desde então está sendo oferecida aos executivos argentinos como uma opção alternativa para aqueles que exigem uma maior privacidade em suas viagens, e que não possuem condições financeiras para adquirir uma aeronave executiva. A proposta da Aerolineas já está rendendo bons frutos, tendo usado a aeronave em média sete vezes por mês. Por causa disto, a diretoria da Aerolineas já estuda a aquisição de mais uma aeronave neste modelo.

A Lan Chile, agora denominada LAN, apresentou na FIDAE sua nova imagem corporativa que incluiu a mudança do nome da empresa nas aeronaves, que já tinham uma bela imagem vista nos aeroporto do mundo. Esta mudança, segundo informações recebidas na FIDAE se deve ao novo planejamento de operações conjuntas entre a empresa chilena e suas subsidiárias pela América. Esta nova aposta de marketing já pode ser vista em algumas aeronaves da Lan vistas no Aeroporto Internacional.

O Brasil na Fidae

A presença brasileira nesta FIDAE foi bem tímida, bem ao contrário de edições anteriores. A Embraer esteve presente com um stand onde eram mostradas maquetes do Embraer 190 e do Mirage 2000BR, participante do Programa F-X da FAB. A aeronave Embraer ALX, que inicialmente foi colocada na lista de aeronaves em exposição, não foi trazida para o Chile e as únicas aeronaves brasileiras presentes foram os Embraer T-27 Tucano da Esquadrilha da Fumaça. As aeronaves Embraer 170 e 190 não puderam comparecer, pois estavam em apresentações para possíveis clientes e correndo contra o tempo para certificação, respectivamente.

Se a Embraer apareceu pouco, a VEM – Varig Engenharia e Manutenção, esteve presente com um belo stand feito todo com materiais compostos e reciclados. O presidente da VEM, o engenheiro Evandro Braga de Oliveira estava muito contente com os resultados alcançados pela empresa durante o ano passado e pelo que já se alcançou neste início de ano. Dentre estes resultados está o projeto de conversão de aeronaves 767 de passageiros para cargas, feito em parceria com a empresa israelense IAI. Nas suas instalações em Porto Alegre, a VEM já está com toda estrutura preparada para conversão. Seus técnicos já estão em treinamento pelo pessoal israelense e a primeira aeronave deverá entrar para conversão no início de junho. Depois de entrar para conversão, serão três meses para a primeira aeronave ser entregue. A primeira empresa a receber seu 767 cargueiro convertido pela VEM será a empresa TAMPA Airlines, que receberá quatro 767-200ERF.

Após a entrega da primeira aeronave, o processo de conversão demorará cerca de um mês, ao invés dos 3 meses usados para converter a primeira aeronave. Já se encontra em fase de execução o projeto de construção de mais um hangar nas oficinas em Porto Alegre, sendo que este será usado exclusivamente para efetuar estas conversões. Atualmente os 767 estão sendo convertidos no Hangar 4.

Aviação Executiva em franco crescimento

Dentro da Aviação Comercial, a aviação executiva representa um interessante mercado, tanto em vendas como em novidades apresentadas nos últimos anos. Apesar da crise que abalou toda aviação nos últimos dois anos, a aviação executiva demonstrou crescimento. Uma das principais razões foi a busca por alternativas seguras de transporte de diretores e empregados de grandes empresas. Depois do fatídico 11 de setembro, diversas empresas começaram a utilizar este tipo de aeronave em seus deslocamentos entre filiais e também para viagens de negócios. Graças a isto, a indústria aeronáutica de aeronaves executivas desenvolveu uma grande variedade de opções para o mercado, que vai desde aeronaves “micro” biz-jets até os novos BBJ e ACJ.

Contrariando o investimento em apresentação das aeronaves, neste ano apenas algumas poucas aeronaves executivas foram apresentadas ao público. O destaque deste ano foram dois Gulfstream (G100 e G200) e um Learjet 40, que na semana seguinte esteve presente na LABACE, em São Paulo. Um outro executive jet presente foi um Falcon 900EX da Dassault, que diariamente fazia apresentações para o público e para futuros clientes. Esta aeronave já esteve presente a FIDAE 2002 e a aposta da Dassault de usar esta aeronave, demonstra o pouco interesse dos fabricantes em trazer novas aeronaves para FIDAE, pois a feira tem se revelado muito melhor para área militar do que para aviação executiva. O diretor de vendas da Dassault para América do Sul, Rodrigo Pesoa, estava no Chile para recepcionar os convidados da empresa francesa e também para divulgar em seu stand os dois novos modelos da Dassault: o Falcon 7x, que segundo Pesoa já existem dois modelos vendidos para América Latina e o Falcon 2000EX.

A Cessna não trouxe nenhuma aeronave da série Citation para a FIDAE, no mercado civil, mas a Força Aérea Chilena apresentava um belo Cessna Citation CJ2 com padrão de pintura cinza, recém adquirido. Também apresentou uma aeronave Cessna Grand Caravan e um Cessna C206TC Stationar, além de um belíssimo exemplar de um Cessna 140 de um cliente particular.

No mercado de asas rotativas, a Eurocopter compareceu com três aeronaves, além das aeronaves da empresa em utilização pela FACH. Um belo EC-135 e um EC-130B4 podiam ser vistos em exposição estática e um colorido EC-120 Colibri realizava vôos de demonstração com futuros clientes.

A Bell Helicopter Textron trouxe um Bell 407 e divulgava em seu stand o novíssimo Bell tilt-rotor BA609, desenvolvido em parceria coma empresa italiana Agusta, empresa que também demonstrava em vôo na FIDAE uma de suas aeronaves, o Agusta A109 Power, na configuração de transporte médico.

Mas a atração principal no mercado de helicópteros foi a presença da aeronave PZL W-3AS Sokol, que dariamente demonstrava toda sua capacidade de manobras. Apesar de ser uma aeronave desenvolvida a partir de um helicóptero russo, a fabricante PZL Swidnik, que participa pela primeira vez no Chile, aposta no mercado sul americano, oferecendo o Sokol para combate a incêndio.

Aeronaves Militares – O poder que vem do céu

É no mercado de defesa em que a FIDAE mais apresenta novidades. Neste ano, as aeronaves militares de última geração não vieram, até porque os diversos contratos militares que estavam para serem fechados na região já estavam praticamente decididos ou já finalizados, como o caso da escolha do F-16 pela Força Aérea Chilena.

Apesar disto, durante este ano, pode se apreciar belas demonstrações aéreas do avião de combate da Força Aérea dos Estados Unidos, o Lockheed Martin F-16C Fighting Falcon, pertencente ao 368º Esquadrão, baseado em Hill AFB, UTAH. As duas aeronaves que estiveram este ano na FIDAE fazem parte de um esquadrão de demonstração aérea, o 12º “Viper West” F-16 Demo Team. Uma aeronave ficava em exposição estática, enquanto a outra, pilotada pelo Capitão Karl “Pacheco” Schluter, decolava todos dias por volta das 17:00LT e simplesmente “barbarizava” com o F-16. Numa das manobras, o F-16 vinha num vôo a baixa altitude, de repente numa puxada, subia efetuando “immelmans” e no topo ainda fazia alguns tunneaus… Ao decolar, com os pós-combustores ligados, literalmente fazia o chão tremer. Os aviões F-16 da FACH (6 F-16C e 4 F-16D) deverão chegar ao Chile em meados de 2006, mas comentários na feira indicavam o descontentamento dos militares chilenos na demora da entrega destes aviões.

No total já foram entregues mais de 4.500 F-16 para mais de 15 países no mundo. A USAF recebeu seu último F-16 em 2001, mas em 2002 assinou uma carta de intenção de renovação de todos seus F-16, que irá transformar estes na versão Block 60, com um novo radar Northrop-Grumman APG-80.

As exibições aéreas nos finais de tarde tinham também a presença de dois caças da FACH: um Northrop F-5 Tiger III e o Dassault/ENAER Mirage M50 Pantera, este último uma versão modernizada pela própria ENAER em parceria coma empresa israelense Elbit. Aliás, as forças armadas estiveram presentes com quase todas aeronaves existentes em suas frotas. Podiam ser vistos: Boeing B707 Cóndor, com seu enorme radar em forma de bolha e o B707 Aguila, de reabastecimento em vôo; dois Boeing 737-500, um deles com a pintura VIP (branco, com faixas azul e dourado) e um no esquema de camuflagem cinza; um C-130 Hercules; um Cessna Citation CJ2; um Mirage V Elkan; um Cessna A-37 Dragonfly; um P-3C Orion da Armada Chilena; um CASA C-235 e um C-212 do Exército além de diversos helicópteros e aeronaves de treinamento.

A Inglaterra, sempre presente, trouxe um dos sete Boeing E-3D Sentry de vigilância e controle do espaço aéreo (AWACS) que estão em serviço desde 1991 no Reino Unido. A aeronave permaneceu em exposição estática durante todo evento. Junto com a delegação inglesa estava o pessoal da BAE Systems e da Britten Norman, fabricante do turboélice Islander. A tripulação do Sentry AEW 1 é composta por 18 homens, sendo que além dos pilotos, se dividem em um diretor tático, um localizador de caças, três controladores de armas, um controlador de vigilância, três operadores de vigilância, uma gerente de dados, um operador de comunicações e um operador de ESM (contramedidas eletrônicas). A aeronave presente a FIDAE 2004 operou nos recentes conflitos da Bósnia, Kosovo, Afeganistão e no ano passado no Iraque, onde chegava voar missões que duravam mais de 18 horas, graças ao reabastecimento em vôo, que pode ser feito através de “flying-boom” ou “probe-and-drogue”.

A Bell trouxe um Bell Huey II, versão modernizada do modelo Bell UH-1H Huey que lutou na Guerra do Vietnã, que está sendo avaliado pela FACH para substituir diversos UH-1H em operação no Chile. Esta aeronave pode transportar até 13 soldados e tem uma autonomia de até 222 quilômetros.

Mas foi o Brasil que mais chamou atenção nos bastidores, por causa do Projeto F-X da FAB. Todos competidores do programa estavam presentes na FIDAE 2004, e já na terça-feira, dia 30, uma notícia corria os stands da feira: o Sukhoi Su-35 era o vencedor do programa. Desmentido em seguida, o boato serviu para atiçar todos participantes. O site Aviação Brasil pode conversar de perto com todos concorrentes e conhecer mais detalhadamente todas características de cada participante. Mas infelizmente as últimas notícias divulgadas, pouco antes de terminar a feira, eram de que o Governo Brasileiro poderia adiar por mais dois anos a decisão, fazendo com que uma nova avaliação precisasse ser feita. Por causa disto uma aeronave “tampão” precisaria ser adquirida, para preencher a vaga que será deixada pelos obsoletos Mirage III que estão se “aposentando”.

Falando em FAB, esteve presente a FIDAE, trazendo equipamentos para Esquadrilha da Fumaça, um C-130 Hercules (2866), do 1º/1º GT, que ostentava um novo padrão de camuflagem, verde escuro, bem diferente dos outros “Gordos” existentes no esquadrão.

A KnAAPO/Sukhoi além de apresentar toda sua linha de jatos da família Flanker, trouxe duas novidades na área civil: o SU-80, desenhado pela Sukhoi, e o hidroavião Be-103, desenhado pela Beriev. Ambas as aeronaves já se encontram em vôo e estão recebendo investimentos privados para seus projetos. Dentro em breve deverão estar sendo fabricadas em série. A aeronave Be-103 foi oferecida ao governo brasileiro, pois está sendo estudada a adaptação de um equipamento de combate a incêndio, com capacidade para 400 litros d’água.

Este ano, as duas esquadrilhas de demonstrações aéreas presentes a FIDAE, a Esquadrilha de Alta Acrobacia Halcones, da FACH e a Esquadrilha da Fumaça, da FAB, fizeram apresentações todos dias, sendo que em alguns dias ambas se apresentavam duas vezes! Em diversos momentos tiravam aplausos do público presente, e outras tantas fazíamos ter mais orgulho dos experientes pilotos brasileiros do EDA, que encantam todas nações por onde levam a imagem da FAB e da indústria aeronáutica nacional, com as cores da bandeira em seus sete T-27 Tucanos.

O tempo não colaborou muito com os fotógrafos e também com os pilotos. No Chile, durante o verão não chove de outubro a março. Inacreditavelmente no dia 28, quando a imprensa foi recepcionada, o tempo ficou nublado. O sol só veio dar o ar da graça na sexta-feira e no final de semana, ficando ruim para quem resolveu ir embora antes.

CONCLUSÃO

A FIDAE deste ano alcançou todos números previstos em negócios, cerca de US$ 50 milhões, mas ainda precisa crescer muito em apresentações de aeronaves e em número de expositores. No total foram 260 empresas participantes neste ano, dividindo o espaço destinado para exibição. Houveram ainda diversas conferências, sendo a mais disputada, a de “Novas Tendências em Manutenção Aeronáutica”, organizada pela FIDAE e pela Lufthansa Lan Chile Technical Training S.A. Na área militar ocorreu o V Encontro de Comandantes Logísticos das Forças Aéreas da América do Sul. Foram contabilizadas mais de 150 mil pessoas nos sete dias do evento, e a imprensa mundial mandou seus melhores correspondentes para cobrir o evento. Apesar de todo mundo comentar a falta de aeronaves em vôo e a falta de aeronaves de última geração, sempre é bom acompanhar de perto uma feira de aeronáutica e o site Aviação Brasil pode compartilhar deste momento pela primeira vez.

AGRADECIMENTOS:

Agradecimentos especiais a VARIG pelo importante apoio operacional e também, em especial, ao Comandante Bavaresco, do McDonnell Douglas MD-11, que nos recepcionou em sua cabine de comando durante o vôo de retorno nos convidando a desfrutar de um pouso no Aeroporto Internacional de São Paulo, Guarulhos, em tão privilegiado local.

Agradecemos também a equipe do site Spotter.com.br, que recepcionou muito bem toda equipe de Aviação Brasil e também estava prestando um auxílio muito importante para os jornalistas brasileiros presentes.

A organização da FIDAE, em especial aos jornalistas Carolina Moran Borges e Jorge Andrés Sola, pela ajuda nos dias do evento e pela hospitalidade e presteza com que nos atendiam.

Deixamos aqui também nossos cumprimentos as empresas que foram de alguma forma atenciosas com nossa cobertura, entre elas a VEM, Embraer, Dassault, Airbus (Multiplan), Gripen International, Sukhoi, Lockheed Martin, Boeing, MAKS e BAE SYSTEMS.

Link para a página de fotos com as aeronaves expostas:

https://www.aviacaobrasil.com.br/materias/fidae2004/fidae_aeronaves.htm

Até a Fidae 2006!!

FONTE: Aviação Brasil – Fernando Valduga – São Paulo/SP

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