Lúcio Yamashitafuji – AeroMexico

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Lúcio, obrigado pela concessão da entrevista. Com sete vôos semanais Brasil – México com você analisaria o crescimento da Aeroméxico nesta rota?
Até agora 2007 / 2008 o crescimento será bem menor, mas 2006/2007 foi muito bom, aliado a alguns fatores. Primeiro na adaptação dos brasileiros com a necessidade do visto para o México. Houve uma retração do mercado em 2005/2006 por este motivo. Também tivemos um crescimento comercial muito grande entre os dois países ( Brasil – México), o Brasil exportou muito para o México. O crescimento do turismo se deve a três fatores, a acomodação do passageiro indo para o México com o visto, a hotelaria de Cancun se recuperando do furacão em outubro de 2005, pois metade do ano de 2006 foi caótico em função de turismo e 2007 já tivemos um crescimento. O último fator foi o câmbio, em 2007 e 2008 o câmbio está nos ajudando, porém o tráfego de negócios já se vê numa estagnação de exportação por causa do câmbio e isto já notamos através dos porões de carga de nossas aeronaves.
E de olho neste crescimento como você analisa a concorrência com a Varig e a OceanAir?
No caso da Varig é uma empresa que tem nome, público e será páreo nesta rota. Neste período que a Aeromexico operou non-stop sozinha também não tínhamos 100% do mercado! Este mercado era dividido via EUA, Lima e Panamá. Agora com as três empresas operando direto é claro que o passageiro preferirá voar direto. A oferta de assentos Brasil – México praticamente duplicou, e estamos operando com equipamento maior cinco vezes na semana como um produto diferencial.
Agora viajar via EUA, Lima ou Panamá financeiramente é mais vantajoso?
Trabalhamos no Brasil com banda tarifária e via terceiro país pode-se praticar valores 5% mais baixo que um competidor que voa direto. Mas nós temos produto e qualidade!
Hoje é o Boeing 777 cinco vezes na semana e o Boeing 767 duas vezes. O 767 opera em quais dias?
Terças e sextas-feiras.
Algum estudo de menor demanda?
Não, se fosse estudo sexta-feira é um bom dia, só que dentro da malha a Aeromexico precisava desta aeronave na rota da Ásia e mantivemos o 767. Lógico que pleiteio um produto adequado que é o Boeing 777 que é um produto que tenho uma cabine com 49 assentos na executiva.
Falando das classes do triplo 7 como estão divididas as classes desta aeronave?
Só temos a econômica e executiva. Temos quatro Boeing 777, sendo dois zeros e dois ex-Varig. Os novos que chegaram via Boeing possuem 49 assentos com cama na executiva e 221 assentos na econômica. Os outros dois 777 ex-Varig mantivemos 49 assentos na executiva mas não são cama, são assentos normais compatíveis com as melhores classe executiva do mercado, e 221 assentos na econômicas. Vamos adequar a frota de 777 porque dentro do mercado mundial não falta só equipamento mas também acessórios. Já solicitamos os acessórios para modificar os dois 777 sendo que no final de março reconfiguraremos o terceiro avião e até o final de2008 aoutra aeronave.
Em2006 a Aeromexico fechou com 8.600.000 passageiros transportados globalmente e analisamos que pelo segundo ano consecutivo fecharam com queda neste volume. Como vocês estão analisando os números de 2007?
Globalmente ainda não temos a informação disponível, mas tivemos uma reunião agora em janeiro onde foram apresentados alguns dados e sabemos que fechamos com incremento de passageiros. O problema desta queda está no nosso mercado doméstico onde apareceram cinco empresas low-cost no período 2006/2007. Em 1998 as rotas internacionais representavam 4% da estrutura da Aeromexico, em 2007 essa cifra foi para 38% e em 2008 nosso budget deverá ser 50%. Desde2004 acompanhia se volta para o investimento internacional e adequamos nossa malha doméstica para fazer frente as low-cost que já dominam 27% do mercado.
Desde 2003 o número de passageiros especificamente vem crescendo na rota Brasil – México. Como ficou no ano anterior e o seu aproveitamento?
Em 2006 ficamos com 107.000 passageiros transportados e em 2007 com 139.134 passageiros com 75% de aproveitamento.
Qual o perfil de público predominante nos vôos, turistas ou executivos de negócios? Qual a proporção?
Se fosse 2004/2005 era 30% corporativo, porque tínhamos muito turista viajando para os Estados Unidos via México. O tráfego de 2007 podemos considerar 60% a 70% clientes de negócios. Hoje o México deve estar entre os cinco maiores importadores de produtos brasileiros o que justifica este volume. E temos também tráfego para os EUA, costa oeste, Houston, apesar de não ser o produto ideal. Da forma como anda a aviação o crescimento de passageiros Brasil – Exterior foi bom para nós também porque alimentamos nosso vôo do Brasil com uma demanda secundária.
Existe interesse da empresa em operar novas rotas no Brasil?
Temos interesse e estudo avançado para o Rio de Janeiro, só falta equipamento para esta operação. Serão dois vôos de acordo com a política da Aeromexico em voar non-stop.
Code-share e interline, possuem acordo com alguma empresa brasileira?
Interline com a TAM e negociação com a Gol/Varig.
As vendas da Aeromexico, qual a proporção de vendas no Brasil?
Não existe site da Aeromexico no Brasil, não temos versão em português. Consideramos 97% agentes e 3% balcão, loja, aeroporto.
O comissionamento do agente de viagens varia em torno de quanto?
Hoje 6% de comissionamento.
Como funciona o programa de milhagens da Aeromexico?
Club Premier é o mais antigo programa de milhagens da América Latina. Temos três classificações, clássico, platinum e ouro. A cada cinco viagens ida e volta ganhasse uma viagem.
E a SkyTeam, o que contribuiu para a Aeromexico?
No Brasil foi fantástico a vinculação da imagem da Aeromexico com a Air France, Delta Airlines e Korean Airlines. O mercado viu a associação de nossa marca com marcas muito fortes consolidadas no Brasil e fortaleceu-nos muito. Sentimos a falta de uma empresa brasileira nesta aliança.
O Citigroup é o novo controlador da companhia?
O Citigroup, através da Banamex, braço do Citigroup no México, junto com 14 investidores mexicanos, venceram o leilão e adquiriram a empresa por US$ 249 milhões de dólares. O Citi investirá US$ 90 milhões de dólares imediatamente a partir do controle da companhia.
Aproveitando a questão sobre investimento a Aeromexico adquiriu o Boeing 787 recentemente. Quando chegam as primeiras aeronaves e a possibilidade de operá-las no Brasil?
Chegam no final de 2010/2011 e chegarão para substituir os Boeing 767. Estariam dentro da malha atual que atenderia o Brasil.
Algumas considerações importantes neste final de entrevista?
Desde 15 de janeiro de 2008 passamos a operar no terminal 2 do Aeroporto da Cidade do México junto com os sócios que trabalham conosco, digo, as empresas parceiras. No novo terminal são 23 posições de embarque do lado oposto ao terminal 1. Operam lá a Aeromexico, Aeromexico Connect, Aeromar, Continental, Delta, Lan e Copa. A Air France virá numa segunda etapa devido ajustes com a logística de carga. É um terminal onde a Aeromexico tem uma operação bastante substancial, salas vip, salas de conexão e qualidade de serviço. Começaremos a operar para Romaem abril, Cali e Xangai em junho, e em dezembro Barcelona, com vôo non-stop.
Lúcio, obrigado por receber Aviação Brasil em seu escritório e parabéns pelo crescimento em nosso mercado!

FONTE: Aviação Brasil – Alexandre Barros – São Paulo/SP

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