Marco Antônio Bologna – CEO da Tam Linhas Aéreas

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Aviação Brasil – Bologna, resumidamente, fale um pouco de sua carreira profissional, até chegar à presidência da TAM.

Marco A. Bologna – Sou engenheiro de produção, graduado pela Escola Politécnica da USP, em 1978. Fiz extensão em Serviços Financeiros pela Manchester Business School-UK, em 1988.

De novembro de 1977 a março de 2001 trabalhei no mercado financeiro, passando pelo Banco Francês e Brasileiro, Lloyds Bank, Chase Manhattan, Banco Itamarati, Banco SRL e Banco Inter American Express, de onde sai como Diretor Superintendente.

Em março de 2001, vim para a TAM, a convite do comte. Rolim Amaro, para ser Vice-Presidente de Finanças e Gestão e Diretor de Relações com o Mercado. Em 19 de janeiro de 2004, assumi a presidência da companhia.

Aviação Brasil – Como o senhor analisa o desempenho da TAM durante o ano de 2005, até a presente data, no mercado doméstico e internacional?

Marco A. Bologna – Acreditamos que os resultados da companhia, tanto do ponto de vista operacional quanto sob a ótica econômico-financeira, demonstram que os objetivos assumidos pela administração da companhia perante nossos clientes e nossos acionistas estão sendo plenamente atingidos.

O reconhecimento de nossos clientes ao “espírito de servir”, legado pelo comandante Rolim Amaro, foi reforçado pelos prêmios recebidos pela TAM neste ano. Entre eles, podemos mencionar: 1º lugar entre as companhias aéreas no Top of Mind da Folha de S. Paulo (pesquisa do Instituto Datafolha); 1º lugar entre as companhias aéreas na pesquisa “Marcas de Confiança” do Ibope Solutions/Interscience; 5ª Empresa Mais Admirada no Brasil na pesquisa da revista Carta Capital; Melhor Companhia Aérea Doméstica na pesquisa da revista Viagens e Turismo da Editora Abril; 1º lugar entre As Empresas que mais Respeitam o Consumidor na categoria Companhia Aérea em pesquisa da revista Consumidor Moderno/TNS Interscience; e Prêmio Padrão de Qualidade em B2B 2005 nas categorias Companhia Aérea e Empresa Mais Admirada, da revista B2B Magazine.

Do ponto de vista operacional, mantivemos em novembro market share de 43,8% completando 29 meses consecutivos de liderança no mercado doméstico de aviação civil, de acordo com os dados do DAC. No mercado internacional, nossa participação de mercado elevou-se para 21,9%.

Obtivemos um crescimento de 44,6% no total de passageiros-quilômetros transportados (RPK), que atingiu a marca de 17,454 milhões de pessoas nos 11 meses deste ano, incluindo vôos nacionais e internacionais.

A taxa de ocupação (load factor) de nossos vôos domésticos está em 70% no acumulado até novembro (ante 64% em igual período de 2004) e em 74% nos vôos internacionais (72% de janeiro a novembro de 2004).

De acordo com nossa última demonstração financeira apresentada ao mercado, aumentamos a quantidade de horas voadas por avião em 48,5% no mesmo período, que subiu de 6,88 horas de janeiro a setembro de 2004 para 10,22 horas nos primeiros nove meses deste ano.

Alinhada com a expansão de suas operações, a TAM aumentou seu quadro de funcionários em 18,5%, chegando ao final do terceiro trimestre de 2005 com 9.338 colaboradores diretos.

Com a continuação dos nossos esforços de redução de custos alcançamos a significativa diminuição de 12,9% no custo por assento-quilômetro na comparação do terceiro trimestre de 2005 com o mesmo período de 2004. Se excluirmos os gastos com combustível, a redução é maior, de 21,9%.

O desempenho econômico-financeiro se traduziu num crescimento de 27,4% de nossa receita bruta total, para R$ 4,3 bilhões de janeiro a setembro de 2005. O lucro líquido apurado no período alcançou R$ 122 milhões.

Aviação Brasil – A TAM mantém a liderança no mercado doméstico de passageiros com 44,15% de market share. Qual o segredo de manter-se à frente de uma empresa de “baixo custo” como a Gol e uma “tradicional” como a Varig?

Marco A. Bologna – A TAM lidera o mercado doméstico de passageiros desde julho de 2003 e fechou o mês de novembro com 43,8% de market share, de acordo com as últimas estatísticas do DAC. Nossa prioridade estratégica é consolidar e ampliar essa liderança, com rentabilidade.

Para isso, oferecemos aos nossos passageiros uma ampla malha aérea doméstica, conveniência de horários com alta pontualidade e regularidade nos vôos, atendimento de alta qualidade e preços competitivos.

Com fundamento em nossa cultura organizacional e em uma marca forte associada a atendimento diferenciado, perseguimos a meta de traduzir em todas as ações o nosso “espírito de servir”.

Alguns exemplos:

· nossa frota moderna, com interiores projetados para proporcionar maior conforto aos nossos passageiros, com espaço entre poltronas acima da média do mercado e com a mais larga poltrona intermediária nas aeronaves Airbus;

· gentileza no trato com o passageiro, como, por exemplo, o comandante na porta da aeronave no momento do embarque para receber os passageiros, tripulantes e atendentes sorridentes e gentis e nosso tapete vermelho;

· única empresa a oferecer em vôos domésticos entretenimento na forma de vídeos e áudio;

· canal aberto de comunicação com nossos clientes, através do nosso call center, do nosso programa Fale com o Presidente e chats com atendimento on-line no nosso Portal e-TAM.

· Programa Fidelidade (pioneiro entre companhias aéreas no Brasil) que oferece uma forma muito simples de os passageiros trocarem seus pontos por viagens grátis. Hoje temos 2,6 milhões de associados e já distribuímos 3 milhões de bilhetes por meio do resgate de pontos.

Aviação Brasil – Os novos Airbus, recentemente encomendados, visam uma maior oferta da empresa nas rotas existentes ou a abertura de novas rotas no mercado doméstico e internacional?

Marco A. Bologna – Nossa frota é constituída atualmente por 76 aeronaves em operação, sendo sete Airbus A330, 49 Airbus A320 e A319, e 20 aviões de 100 lugares. Planejamos aumentá-la para 92 aeronaves nos próximos cinco anos – oito Airbus A330, 66 Airbus A320 e A319, e 18 aviões de 100 lugares.

O plano de frota da TAM estabelecido junto à Airbus inclui 30 pedidos firmes e 20 opções para a família A320. Além disso, temos um Memorando de Entendimento assinado com a Airbus para a compra de oito A350-900 com mais sete opções, com o objetivo de expansão internacional e futura substituição dos modelos A330, visando manter baixa a idade média da frota.

Parte dos pedidos visa a expansão da atual frota da companhia e parte servirá para reposição das aeronaves mais antigas, que serão devolvidas de acordo com os contratos de leasing operacional firmados entre a TAM e seus fornecedores.

A expansão da atual frota visa o fortalecimento de nossa malha aérea de forma seletiva, eficiente e rentável no mercado doméstico e internacional.

Aviação Brasil – Qual a estratégia da TAM para o mercado internacional em 2006? Quais novas rotas estão sendo estudadas e quais seus potenciais?

Marco A. Bologna – Em 2006 pretendemos manter nossa estratégia de expansão seletiva e rentável no mercado internacional com uma malha aérea eficiente, sustentando o serviço doméstico no mercado brasileiro, onde a TAM é líder.

Nossa prioridade estratégica é consolidar a participação nos principais destinos na América Latina e reforçar a posição intercontinental com maior número de freqüências e novos destinos que suportem nossa estratégia doméstica.

Neste ano, inauguramos as rotas Rio de Janeiro-Nova York, com escala em São Paulo, e Recife-Paris. Acrescentamos um vôo diário na rota São Paulo-Miami e aumentamos três freqüências semanais na São Paulo-Paris. Na América do Sul, temos o vôo diário para Santiago e sete freqüências na rota São Paulo-Buenos Aires.

Além disso, recebemos autorização para operar vôos para Lima (Peru) e Caracas (Venezuela), via Manaus. Pretendemos ainda passar a operar as sete freqüências semanais para Nova York, as quais temos direito (hoje fazemos quatro semanais).

Aviação Brasil – A entrada da BRA com vôos regulares poderá fazer com que a TAM perca participação de mercado? Como a TAM analisa mais um concorrente direto na aviação comercial?

Marco A. Bologna – Ao longo dos 29 anos de existência da TAM, demonstramos uma história de crescimento sustentado e capacidade de adaptação aos diversos momentos da aviação civil no Brasil e no mundo. Para nós, a concorrência é saudável desde que baseada em premissas de racionalidade. O respeito aos nossos concorrentes faz parte do legado do comandante Rolim Amaro, para quem “o concorrente é que nos faz acordar mais cedo”. Ou seja, nos estimula a manter nossa prioridade estratégica de consolidar e ampliar nossa liderança no mercado, com rentabilidade.

Aviação Brasil – A TAM continua sem participar das alianças globais, digo, Star Alliance, Oneworld e SkyTeam. A empresa, em caso de associação, não traria benefícios aos seus clientes com oferta de vôos em outros destinos? Se sim, por que ainda não se filiou a nenhuma das alianças?

Marco A. Bologna – Em consonância com nossa estratégia de expansão seletiva e rentável de suas rotas internacionais, a TAM oferece vôos em code-share com a Air France-KLM e com a American Airlines.

Esses acordos facilitam a vida de nossos passageiros e proporcionam conexões convenientes para diversas cidades no exterior, além de outros serviços, tais como atendimento no check-in, simplificação no envio de bagagens, acesso a salas Vip e pontuação no Programa de Fidelidade TAM.

Possuímos ainda vários acordos bilaterais que nos permitem oferecer uma grande diversidade de destinos no mundo aos nossos passageiros.

Aviação Brasil – Os resultados financeiros da empresa mostram crescimento para 2005. Até onde a negociação das ações em bolsa foi benéfica para a companhia e quanto gerou de lucros para quem investiu em ações da empresa?

Marco A. Bologna – A abertura do capital era um desejo antigo dos controladores dos fundos de investimento que possuem participação na TAM e do próprio Comandante Rolim Amaro, fundador da TAM. Isso foi feito para termos acesso a uma fonte de capital segura e para garantirmos a perpetuidade da empresa. Com capital próprio maior e mais recursos em caixa, a companhia fortaleceu sua capacidade de planejar o crescimento.

As ações preferenciais da companhia (TAMM4) fecharam o mês de novembro negociadas na Bovespa a R$ 38,51, o que representa uma valorização de 113,9% sobre o valor de R$ 18,00 fixado na oferta pública encerrada em 21 de julho deste ano.

Na oferta pública, foram distribuídas ao público 30.471.600 ações, ao preço de R$ 18,00 cada, totalizando uma captação de R$ 548.488,800,00. Desse montante, quase 70% é aumento direto de capital e o restante representa a venda de parte das ações que pertenciam aos controladores da empresa. Os três objetivos da TAM em ir ao mercado e captar recursos foram bem claros: renovar, aumentar e expandir a frota de aeronaves.

Aviação Brasil – Os Fokker 100 deverão ser substituídos por outra aeronave de 100 lugares? Quais as chances do Embraer 190 frente o Airbus A318 nesta escolha? Escolhendo o Airbus, a companhia não teria uma padronização que resultaria em economia? E porque é tão difícil voar um avião nacional?

Marco A. Bologna – A manutenção de uma frota padronizada, eficiente e flexível faz parte de nossa estratégia de redução de custos. Assim, continuaremos a manter o tamanho da nossa frota otimizada, com o menor número de “famílias” de modelos de aeronaves possível, de maneira a manter um baixo custo de manutenção e operação. Manteremos uma alta utilização de nossas aeronaves. Buscamos, ainda, manter uma frota flexível, com aeronaves capazes de se adequar ao nível da demanda de cada rota.

Dentro desses parâmetros, nosso planejamento de frota prevê a substituição dos aviões Fokker 100, visando a modernização da frota. A decisão envolve análises de questões técnicas e econômico-financeiras e será anunciada em 2006.

Aviação Brasil – Quais as rotas que demonstram o maior volume de passageiros da TAM?

Marco A. Bologna – Os aeroportos que apresentam os maiores volumes de embarques e desembarques de passageiros durante o ano são: São Paulo (Congonhas e Guarulhos), Rio de Janeiro (Santos Dumont e Galeão), Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Porto Alegre, Recife e Porto Seguro.

Aviação Brasil – A TAM vem reduzindo seus preços frente a GOL e em alguns casos mantendo tarifas mais atraentes. Antigamente a companhia se orgulhava de voar tarifas cheias, com aviões lotados e com alta qualidade dos serviços. A TAM mudou seu perfil ou é uma resposta para conter a concorrência?

Marco A. Bologna – Nossa estratégia sustentável para a manutenção da liderança de mercado com rentabilidade não se alterou. Somos uma companhia de baixos custos operacionais, serviços diferenciados de alta qualidade e preços competitivos. Também desenvolvemos serviços especiais para atender demandas específicas e otimizar a utilização de nossas aeronaves, tal como a operação de vôos noturnos, além de oferecer tarifas promocionais planejadas em feriados. A resposta dos nossos clientes fala por si: estamos na liderança do mercado doméstico há dois anos e quatro meses consecutivos.

Aviação Brasil – O CT de São Carlos está preparado para ofertar serviços a terceiros? Esta é uma ação que a companhia estuda a médio prazo para gerar receita adicional?

Marco A. Bologna – O Centro Tecnológico de São Carlos, localizado no interior do Estado de São Paulo, está certificado pelo DAC para executar todas as grandes manutenções programadas (checks C e D) em toda a sua frota composta por aeronaves Airbus e Fokker. A equipe técnica do parque tecnológico recebeu também a certificação internacional da EASA – European Aviation Safety Agency (JAR-145) para os checks de aviões e de componentes aeronáuticos. Somos ainda certificados pela Airbus, fabricante das aeronaves.

Além de realizar as grandes manutenções programadas das aeronaves da frota da companhia, o CT da TAM executa os checks do novo avião presidencial, o Airbus ACJ (Airbus Corporate Jetliner).

A TAM já presta serviços em bases localizadas em outros estados brasileiros para empresas européias que operam o Airbus A330 em vôos charters para o Brasil. No parque de manutenção atende ainda empresas regionais com as quais mantém acordos operacionais. A companhia está avaliando a prestação de serviços a terceiros.

Aviação Brasil – Como está o planejamento da TAM para 2006? O que a empresa espera do próximo ano?

Marco A. Bologna – Estamos em fase de conclusão de orçamento para 2006. Só poderemos nos manifestar após aprovação por parte do Conselho da TAM, o que está previsto para ocorrer no final de dezembro ou janeiro. Mas podemos adiantar que continuaremos num processo contínuo de crescimento rentável, com busca de rotas seletivas no mercado doméstico e internacional. Nossa expectativa é otimista, baseada nas pesquisas de mercado e nas estimativas de crescimento do PIB da ordem de 3,5% ao ano divulgadas pelo Boletim Focus produzido pelo Banco Central.

FONTE: Aviação Brasil – Alexandre Barros – São Paulo/SP