Embraer comenta posição da Bombardier sobre montantes de financiamentos para jatos regionais

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A Embraer disse hoje que o CEO da Bombardier Paul Tellier superestimou o montante de financiamento concedido aos clientes da Embraer ao comparar a performance das exportações das duas empresas em anos recentes.

Num discurso proferido no dia 17 de fevereiro, endereçado à comunidade empresarial de Montreal, Canadá, a imprensa cita o principal executivo da Bombardier como tendo afirmado que, ao longo dos últimos três anos, o Export Development Corporation (EDC) financiou, em média, 41 por cento das entregas totais de aeronaves da Bombardier; enquanto que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil teria financiado, em média, 80 por cento das entregas totais da Embraer no mesmo período.

Em consideração às referências do CEO da Bombardier, a Embraer gostaria de esclarecer os seguintes pontos:

· Durante os três anos referidos no discurso (presumivelmente 2000, 2001 e 2002), as exportações da Embraer atingiram US$ 7,995 bilhões, dos quais US$ 2,609 bilhões de vendas à exportação foram financiados pelo BNDES, representando apenas 32 por cento do total. Ao longo do mesmo período, o EDC do Canadá disponibilizou um total de US$ 9 bilhões para os clientes da Bombardier, US$ 6,4 bilhões acima do concedido aos clientes da Embraer através do BNDES, e representando 41 por cento do total.

· Se o período referido for o de 2001, 2002 e 2003, o BNDES financiou US$ 3,812 bilhões de vendas à exportação de um total de US$ 7,338 bilhões, ou 51 por cento. Ainda assim, bem abaixo dos “mais de 80 por cento” referidos pelo CEO da Bombardier.

· De 1995 (ano anterior à introdução pela Embraer do seu primeiro jato regional, o ERJ 145) até o fim de 2003, o BNDES financiou um volume de recursos que representaram, em média, 48 por cento das exportações da Embraer. É também importante ressaltar que, desde janeiro de 2002, nenhum novo contrato de venda de aeronave contou com créditos à exportação do BNDES.

Outro ponto crítico a ser enfatizado é que os números apresentados pelo principal executivo da Bombardier não levaram em consideração o maciço apoio provincial consubstanciado em garantias de empréstimos e patrimoniais, que, em última análise, viabilizaram os financiamentos aos clientes da Bombardier. Seria muito difícil, ou talvez impossível, que estes financiamentos pudessem ser concedidos apenas com as garantias que seriam apresentadas pela Bombardier. Um importante exemplo a ser mencionado são as garantias para empréstimo e patrimônio fornecidas pelo Invêtissement Quebec no decorrer dos últimos anos.

Além de financiamentos à exportação, outras modalidades de suporte governamental deveriam ser abordadas. Em 9 de fevereiro, a Embraer apresentou o terceiro modelo da família EMBRAER 170/190 de jatos, com capacidade para 70 a 110 passageiros. Esta nova família de jatos, que incorpora tecnologia no estado da arte, foi desenvolvida a um custo aproximado de US$ 1 bilhão, inteiramente assumido pela Embraer e alguns parceiros estratégicos, que arcaram com o risco de desenvolver e colocar uma nova família de aeronaves no mercado. Nenhum recurso do governo brasileiro foi utilizado neste novo projeto. Em comparação, a Bombardier está a procura de apoio do governo para a realização de pesquisa e desenvolvimento de uma nova família de aeronaves que, segundo notícias da imprensa, está orçada em 2 bilhões de dólares canadenses.

FONTE: Embraer – Aviação Brasil – São José dos Campos/SP