Análises e Tendências para 2008

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O ano de 2007 foi um ano para que muitas empresas riscassem da caderneta! O setor aeronáutico foi duramente afetado pelos eventos ocorridos desde o acidente com o Boeing da Gol em 2006, o problema dos aeroportos, ainda no final de 2006 que se arrastou por 2007, a falta de gestão adequada, que resultou inclusive na troca do Minístro da Aeronáutico e perda de poderes da ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, e ainda, o acidente com o Airbus da Tam, em Congonhas, que vitimou 199 pessoas em 17 de julho passado e a quebra inesperada da BRA em novembro. Em março a regional Pantanal não conseguiu renovar seu Cheta com a Anac e está operando através de uma liminar judicial. A VRG, empresa controlada pela Gol, mostrou sinais claros que não iria expandir sua rede internacional a partir no momento que começou a realizar acordos de interline com muitas empresas internacionais como a Aegean (Grécia), Air Comet (Espanha), Air France (França), Air Moldova (Moldova), Air One (Itália), China Airlines (Taiwan), CSA Czech (República Tcheca), Delta Air Lines (Estados Unidos), El Al (Israel), Etihad Airways (Emirados Árabes Unidos), Hahn Air (Alemanha), Iberia (Espanha), Japan Airlines (Japão), KLM (Holanda), Korean Air (Coréia do Sul), LOT Polish Airlines (Polônia), Malev (Hungria), Mexicana (México), Qatar Airways (Qatar), TAP Portugal (Portugal), Turkish Airlines (Turquia), Ukraine International Airlines (Ucrânia) e a controladora Gol. O fato de consumou com o anuncio da empresa em 11 de abril de que operaria apenas em Bogotá, Buenos Aires, Caracas e Santiago. De fato a antiga Varig morreu e esta é fruto de uma nova gestão, da gestão rentável.

Com tantas adversidades era previsível que o lucro e crescimento de algumas empresas desabassem em 2007 mas mesmo assim muitas transportaram mais e as projeções para 2008, com o setor se normalizando, tendem a ser ainda melhores. Há uma divergência nas planilhas da ANAC, que apontam 11,9% de crescimento em 2007 de passageiros quilômetro transportados mas que, se somadas, apontam apenas 10,71%, número este que Aviação Brasil está trabalhando e entendendo como correto. Na planilha acima o número acumulado total diz respeito a todas as empresas e não somente as seis apresentadas acima.

A BRA, para surpresa de muitos, deixou de voar em novembro, pouco tempo após anunciar uma encomenda de 20 aeronaves da Embraer por US$ 730 milhões de dolares. A crise se instaurou após a paralização de um Boeing 767 com problemas técnicos no exterior ocasionando um efeito cascata nos outros vôos da companhia. Em meados de outubro a ANAC suspendeu a autorização da BRA para voar para o exterior e poucos dias depois a empresa suspendeu seus vôos domésticos. Em agosto a BRA chegou a ter 5,6% de market-share doméstico e nossa projeção era que fechasse com 4,5% de média em 2007. Diferente de quando a Varig entrou em colapso, o mercado conseguiu absorver bem a fatia de mercado da BRA, sendo que a OceanAir assumiu algumas aeronaves e rotas e as demais empresas naturalmente ocuparam o lugar da companhia em rotas que já atendiam. Nas linhas internacionais a companhia fechou com uma média de 4,77% de market-share e nenhuma das rotas operadas pela empresa não era servida por uma segunda companhia, seja ela nacional ou estrangeira, e naturalmente houve uma migração desses clientes.

A GOL fechou 2007 com média de 39,46% de market-share, acima de nossa projeção de 34,6% divulgada em dezembro de 2006. Muito se deve não a quebra da BRA mas sim ao não crescimento da VRG em rotas domésticas, companhia agora que faz parte do Grupo Gol. Parece claro neste momento que a estratégia da Gol é fortalecer-se no mercado doméstico. Com novas aeronaves, frequências e rotas sendo adicionadas a cada mês podemos projetar se não a liderança do mercado no final de 2008 mas uma participação praticamente igual a da TAM, que em nossa ótica, se estabilizará este ano. A projeção de frota da GOL, com devoluções e recebimentos, acusa uma frota de 77 aeronaves ao final de 2008 frente as 76 aeronaves em dezembro de 2007. Nas linhas internacionais a GOL fechou com média de 14,27% de market-share sendo que o top foi fevereiro com quase 19% e em dezembro apenas 11%. Como dissemos acima isto esclarece toda a estratégia do grupo quanto as operações domésticas e internacionais das duas empresas porém a Gol já está reduzindo frequências na América do Sul e a VRG só operará em quatro cidades já listadas nesta matéria. A GOL pode fechar 2008 com participação internacional em torno de 9%.

Com um market-share de 2,37% em 2007 a OceanAir só não conquistou mais projeção devido a pouca divulgação da marca no Brasil e até em função da operação falha em algumas rotas, com pouca oferta em rotas de maior densidade, fazendo com que a companhia estaciona-se em 2007, mesmo quando teve a oportunidade de absorver toda a base de clientes da BRA. Com novas aeronaves em 2008 a tendência é se recuperar e abrir um pouco mais de espaço no cenário doméstico e projetamos 4% de participação ao final deste ano. No cenário internacional a OceanAir debutou em setembro último e fechou com média de 0,17% em 2007. Com novas rotas e aeronaves em 2008 projetavamos 2,5% de market-share internacional, devido a forte concorrência neste setor, mas a companhia deixou de operar para o exterior em abril de 2008.

Tinhamos projetado 48,5% de share doméstico para a TAM em 2007 e ela fechou dezembro com 48,61% e média de 49,05% em 2007. Para 2008 acreditamos que a TAM deva manter a faixa dos 49% de participação doméstica devido ao aumento da concorrêncioa com a GOL e VRG Transportes Aéreos, ao crescimento da OceanAir e Webjet em rotas específicas e uma maior disputa por passageiros corporativos. A projeção de frota da TAM para o final de 2008 apresenta um acréscimo de 13 aeronaves sendo 5 na malha internacional e 8 na malha doméstica, já descontado a devolução dos MD-11 e Fokker 100. Falando em cenário internacional, mesmo com a incorporação de novas aeronaves, estamos prevendo que a participação da TAM, que ficou em 67,38% em 2007 cresça em função da desistência da VRG em operar algumas rotas internacionais. Projetamos uma nova participação em torno de 80% para a TAM ao final de 2008 no internacional.

A VRG não atingiu os 7% projetados por nós em dezembro de 2006 devido aos acontecimentos relatados nesta matéria e o atraso na chegada de algumas aeronaves. Fechou 2007 com um market-share de 3,41% e com a chegada de novas aeronaves pode encerrar 2008 com 10% de participação doméstica e chegar a 15% em participação internacional em função do relato dado nesta atualização de matéria.

Webjet e Trip/Total são duas empresas que podemos analisar com boas projeções em 2008. A Webjet passou de 0,32% para 0,77% de participação de mercado e acaba de receber mais uma aeronave com a qual já abriu novas rotas e frequências. A Trip junto com a Total possuem hoje 1,05% do mercado e podem se consolidar como a sexta empresa em market-share no Brasil com boas projeções de crescimento. Para 2009 analisaremos também a empresa de David Neeleman, lançada recentemente, que deverá obter boa participação no mercado doméstico a médio prazo.

Dentre as demais regionais, além da TAF, que praticamente dobrou sua participação de mercado, nenhuma outra apresentou resultados significativos que possam ser considerados nesta análise, o que prevemos para 2008 é uma estabilização dessas empresas, com o fechamento ou paralização de atividades de duas ou três, por problemas financeiros e operacionais.

FONTE: Aviação Brasil – Alexandre Barros – São Paulo/SP

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