De cada dez pessoas, oito não comprariam passagem da Varig

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Mesmo com o arremate da VarigLog, a salvação da Varig ainda não está garantida. A companhia aérea, criada em 1927, e, até então, a única brasileira a operar rotas internacionais, precisa, agora, reconquistar a confiança dos clientes. Enquete realizada pelo Estadão.com.br que ouviu 1.626 pessoas mostrou que 78,37% delas – ou 1.275 – não comprariam bilhetes da companhia na atual situação.

“Quando vamos viajar é porque temos um objetivo a cumprir, que envolve normalmente prazos e custos. Como posso confiar em uma empresa que cancela seus vôos e não tem compromisso com o cliente?”, disse Roberto Schimidt. “Existem outras companhias. Por que arriscar?”

Porém, outras pessoas já têm queixas da empresa mesmo antes do agravamento da crise. Segundo um entrevistado que se identificou apenas como Fernando, demoras no embarque são fatores comuns há tempos. “Atrasos eram sempre uma rotina, ouvi todo tipo de desculpas, ora técnicas, ora por atraso de vôos de conexão.”

Além dos transtornos com atraso e cancelamentos de vôos, entrevistados apontam para a segurança das aeronaves. “Se você não sabe pilotar um Boeing não deve viajar numa companhia que não paga o salário de seus pilotos há cinco meses. E a manutenção, será que está sendo feita?”, indagou Sérgio Schwaz.

Autran do Bomfim Carneiro está entre os 20% que ainda confiam na aérea. “A Varig foi uma empresa que sempre tratou com muito respeito os clientes”, afirmou. Victor Henrique Paina vai além. “Hoje temos que dar uma nova chance para que uma empresa como essa volte a transitar. A VarigLog está investindo e acreditando, todos nós devemos fazer o mesmo.”

Outros, mais saudosos, ainda vêem a companhia aérea com o glamour de antigamente, e não sob o efeito da crise pela qual passa há mais de cinco anos – e que lhe rendeu uma dívida de R$ 7,2 bilhões e resultou na demissão de seus 10 mil funcionários. “Afirmo que viajaria pela nostalgia que aprendi a conviver nos tempos de garoto, quando ouvia no rádio ou assistia na televisão as propagandas da empresa”, afirmou Silvio Silva.

A insatisfação dos passageiros já é apontada pelos dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgados recentemente. A eficiência operacional da companhia nos vôos domésticos despencou em junho e foi a pior da aviação comercial no período. O índice caiu de 55% em maio para 42%.

FONTE: Agência Estado – Adriele Marchesini – São Paulo/SP