Embraer vê mercado potencial para 300 aviões na Índia

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O presidente da brasileira Embraer, Maurício Botelho, mostrou-se entusiasmado na terça-feira com o potencial da Índia no setor de aviação, que pode render à empresa a comercialização de 300 jatos nos próximos 20 anos, num mercado estimado em 1.000 aeronaves.

Botelho retomou a negociação com a principal companhia de vôos domésticos da Índia. Trata-se de uma oferta aceita pela Jet Airways para a encomenda de 10 jatos no valor de 260 milhões de dólares e a opção de compra de outros 10 do modelo 175, o que elevaria o valor do negócio para 520 milhões de dólares. Em abril de 2003, a companhia comunicou à Embraer o adiamento da compra.

Para a vice-presidente da Jet Airways, Nadini Verma, a empresa aérea –que tem uma frota de 42 aeronaves e detém 48 por cento do mercado doméstico– deve fechar a compra de “pelo menos oito aviões” para substituição de oito ATRs.

Ela afirmou que a encomenda foi adiada em função da guerra do Iraque, da epidemia de Sars que atingiu a Ásia e pela retração no mercado aéreo causada pelos ataques de 11 de setembro aos Estados Unidos.

Contam a favor da Embraer uma série de medidas que flexibilizaram o mercado de aviação civil indiano e que devem dar mais vitalidade ao setor.

“O ministro da aviação civil da Índia está propondo uma desregulamentação bastante forte (no mercado). Isso gera oportunidades reais para nós fabricantes, uma vez que as linhas aéreas estarão mais aptas a crescer a se expandir”, disse Botelho a jornalistas após discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a empresários em Nova Délhi.

As medidas de desregulamentação foram anunciadas no início do ano e incluem a redução de taxas sobre o preço do combustível e sobre o passageiro transportado. Companhias privadas receberam autorização do governo para voar para mais destinos reduzindo os preços caíram para o consumidor.

Nos últimos três dias, o executivo afirmou ter se reunido com potenciais clientes e com militares indianos. A área de Defesa representa outro filão de mercado a ser explorado pela empresa brasileira, já que a Índia destina um orçamento de 15 bilhões de dólares ao Exército.

“Estamos conversando sobre as possibilidades de colocação de aviões de missões especiais, de vigilância e inteligência”, afirmou, acrescentando que esses são contratos mais demorados e que exigem muita negociação.

Até o momento, a Embraer conseguiu vender ao Exército indiano 5 jatos Legacy para o transporte de autoridades no valor de 150 milhões de dólares em 2000.

Assim como as empresas aéreas, a Embraer vem sofrendo os efeitos dos ataques de 11 de setembro de 2001, que impactaram negativamente o mercado de aviação. Botelho espera uma melhora para 2004, com a entrega de 160 aeronaves, contra as 101 de 2003.

Na segunda-feira, a Vale do Rio Doce superou a Embraer como a segunda maior empresa exportadora do Brasil com volume negociado de 2,033 bilhões de dólares, contra 2,007 bilhões de dólares da Embraer.

FONTE: Reuters – Fernando Valduga – Porto Alegre/RS

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