Funcionários da Varig em SP fazem paralisação com notícia de demissões

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Os aeroviários, funcionários administrativos e mecânicos da Varig no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, fizeram uma paralisação entre 13h30 e 15h desta sexta-feira após tomarem conhecimento do comunicado interno no qual a companhia aérea avisava que vai haver uma adequação do número de empregados às necessidades da nova empresa.

“Nosso objetivo não é prejudicar os vôos”, afirmou Uébio José da Silva, presidente do sindicato dos aeroviários do Estado de São Paulo. Segundo ele, cerca de 600 pessoas participaram da manifestação, que tinha como objetivo pedir informações precisas sobre os funcionários que serão contratados pela nova dona da Varig e como serão feitos os pagamentos aos demitidos.

Às 17h, os aeroviários de Congonhas realizam uma assembléia para tratar do assunto e, na próxima semana, o sindicato também vai organizar uma reunião.

Insatisfeitos com quase quatro meses de salários atrasados, funcionários dos aeroportos de São Paulo (Guarulhos e Congonhas), Porto Alegre e Curitiba exigem o pagamento imediato além de esclarecimentos quanto às demissões sob ameaça de cruzar os braços.

O Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos deu um ultimato para que a Varig preste as informações e faça os pagamentos até as 17h desta sexta-feira. Caso contrário, realizam assembléia que pode decidir pela paralisação por tempo indeterminado.

Segundo o diretor do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos, Jorge Dardis, os trabalhadores temem que a empresa não tenha dinheiro para pagar as rescisões. “Se a Varig não está pagando os benefícios e salários como vai pagar as demissões?”, questiona.

Anteontem, os trabalhadores fizeram paralisações, mas retomaram o trabalho no fim da tarde.

A paralisação em Guarulhos causou atrasos de dois vôos internacionais, mas não chegou a provocar cancelamentos, segundo o sindicato.

A Varig pode apresentar ainda hoje as demissões de todos os seus 10 mil funcionários. Os funcionários da companhia aérea foram avisados nesta sexta-feira, por comunicado interno, de que vai haver uma adequação do número de empregados às necessidades da nova empresa.

A VarigLog, que em leilão adquiriu a companhia, informou que pretende absorver apenas 1.680 trabalhadores nos primeiros 60 dias de operações da nova empresa. Os critérios para a recontratação não foram anunciados.

Segundo a companhia, o aumento no número de admissões depende da frota que vai operar. Hoje a companhia mantém nove aviões voando, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). De acordo com cálculos de sindicalistas, cada aeronave representa trabalho para cerca de 200 funcionários.

A “Varig antiga”, que permanece em recuperação judicial, com as dívidas da empresa e que deterá a concessão da Nordeste, deverá ter apenas 50 funcionários.

Segundo a Varig, as verbas rescisórias são estimadas em R$ 253,1 milhões e incluem aviso prévio, férias vencidas e proporcionais, 13° salário, entre outras coisas. O saldo de salários atrasados, que também se refere ao mês de julho, é estimado em R$ 106,2 milhões.

A companhia se comprometeu a entregar as rescisões contratuais e extratos do FGTS em um prazo de até 45 dias após a data de desligamento. Segundo a Varig, a viabilização desses pagamentos se dará por meio de créditos que a empresa tem a receber de ICMS dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

FONTE: Correio Web – Redação – São Paulo/SP